Sustentabilidade ainda é pouco difundida em residenciais

prédio sustentávelAs práticas de sustentabilidade devem ganhar todos os canteiros de obras do Brasil em sete anos. A previsão é do CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) e do Secovi-SP (sindicato do mercado imobiliário).

A meta parece arrojada, mas, hoje, o Brasil é o quarto país com o maior número de obras certificadas por sustentabilidade. Segundo dados do GBC (Green Building Council Brasil), o país fica atrás de Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com o CBCS e o Secovi, os produtos com características sustentáveis já estão presentes em 90% das obras paulistas, mesmo nas que não têm certificação.

Os motivos para a implantação dessas tecnologias –principalmente sobre economia de água e energia– começou como estratégia de marketing nos edifícios corporativos e conquistou adeptos entre os residenciais.

São Paulo, por exemplo, tem leis que visam a incentivar a sustentabilidade nas construções. Entre elas, a de acessibilidade (que estabelece amplo acesso a cadeirantes nas áreas comuns), a que proíbe o uso de amianto e a de necessidade de execução de projeto para recebimento de água das chuvas e de calçadas verdes.

“Ainda cobramos políticas de incentivo, como descontos no IPTU [imposto territorial], a obras com características sustentáveis”, diz Marcelo Takaoka, presidente do CBCS, a exemplo do “IPTU verde”, no Rio.

Para Marcelo Takaoka, a efetividade do uso racional de produtos nas construções depende não apenas da implementação da tecnologia na obra, mas do usuário.

“Ter o selo sustentável pode deixar a obra até 5% mais cara, mas a economia após a entrega é de 30% no condomínio. Mas isso depende do uso racional dos recursos por quem compra o imóvel”, diz.

O arquiteto Edo Rocha, no entanto, aconselha cautela sobre as promessas de soluções (e resultados). Segundo ele, nos corporativos, os recursos são generosos e promissores –ao contrário dos residenciais, que investem em pequenas doses no tema.

“No prédio corporativo há maior sustentabilidade porque isso faz parte do marketing das empresas. No residencial, ninguém quer gastar mais para fazer isso”, diz.

Segundo ele, o que se encontra em projetos para moradia é conservação de energia, consumo racional de água e isolamento térmico.

A secretária Kelly Cristina Fantini, 33, mora em condomínio com itens sustentáveis no Ipiranga (zona sul de São Paulo). O prédio usa a água da chuva para os vasos sanitários, tem churrasqueira a gás e coleta seletiva. “Escolhi morar ali pela economia que pode conseguir com os recursos do prédio.”

Reúso de água e economia de energia são as principais metas

As principais iniciativas em relação a medidas sustentáveis têm relação ao maior controle sobre o uso da água e de energia.

Ar-condicionado, elevador e escadas rolantes costumam estar na mira do racionamento –ou melhor, da eficiência.

Segundo dados da empresa Trane, especialista em controle de ar, o ar-condicionado pode ser responsável por até 60% do uso da energia do prédio. No caso dos elevadores, as construtoras já recorrem a sistemas que os deixam em “stand by” enquanto não são usados. A economia chega a 20% na conta de luz.

Para diminuir o uso do ar-condicionado, tem sido comum a utilização de pé-direito mais alto nos prédios, assim como maiores aberturas das janelas.

Na fachada, muitos condomínios também têm optado por jardins verticais para diminuir a temperatura interna. Em São Paulo, um projeto com plantas e irrigação custa, em média, R$ 1.150 o metro quadrado, segundo a a GreenWall Ceramic, empresa que fornece esse tipo de serviço.

No caso da água, reaproveitar a água da chuva para lavar áreas sociais ou mesmo para irrigar espaços verdes está entre as iniciativas.

“Temos também a preocupação com banheiros, com importância do duplo acionamento da descarga, que pode garantir até 60% de economia de água”, diz Marcelo Takaoka, do CBCS (conselho de construção sustentável).

No entanto, aliar a economia de água e energia pode ser ainda mais complexo.

“Com a obrigatoriedade do uso das placas de energia solar, as pessoa deixam a torneira aberta por mais tempo para que a água esquente. E isso, sem dúvida, é um problema”, diz Ciro Scopel, do Secovi (sindicato da indústria da construção).

Fonte: Folha de São Paulo