Suspeito de consumo de drogas no condomínio, e agora?

Quando pensamos num eventual consumo de drogas em nossos condomínios, o que normalmente nos vem à mente são as drogas ilícitas, como maconha, cocaína e, mais recentemente, o crack. Uma das causas de fazermos essa associação tão espontânea é que vemos pelas ruas, praças e parques grupos de jovens fumando maconha livres de qualquer coerção ou orientação.

Contudo, há de se ter em mente que as drogas são divididas entre as lícitas, como o cigarro e o álcool, e ilícitas, conforme citado acima. As drogas lícitas residem conosco em nossas casas e muitas vezes convivemos com elas, somos condescendentes com seu uso como se os hospitais não estivessem abarrotados de pacientes morrendo de cânceres pulmonares e hepáticos decorrentes delas. E, em grande parte dos casos, nós consumimos drogas na frente de nossas crianças e adolescentes, o que nos desacredita na hora de estabelecermos limites.

consumo de drogasE como isso chega às áreas comuns dos condomínios? Com os pais trabalhando diuturnamente, as crianças e adolescentes, quando não deixados à própria sorte, ficam sob a observação dos empregados domésticos ou do condomínio. Neste sentido, caso o consumo de cigarros ou álcool ocorra nos apartamentos e ali fiquem restritos, caberá aos pais ou responsáveis identificarem o problema e prontamente agirem para entender suas causas, sem qualquer receio ou preconceito de recorrer a um psicólogo ou outro profissional da saúde para revertê-lo.

Obviamente, os jovens fumam ou bebem para serem vistos e notados ocupando seu espaço social, seja confrontando as regras ou estabelecendo sua própria identidade. Isto quer dizer que mesmo que consumam drogas lícitas no apartamento, eles dali sairão para mostrar aos outros jovens sua afronta ou arrumarão qualquer outra razão para demonstrarem sua rebeldia. Aí poderão começar os problemas do condomínio.

Mas vamos pensar que os jovens não causem problemas, porém, de outro lado, que os funcionários notem alterações de voz ou humor, com gritos e risadas desproporcionais ou atitudes estranhas como sinais de embriaguez. Neste momento torna-se muito importante que tal fato seja relatado ao síndico. Este, por sua vez, deverá levá-lo ao conhecimento dos pais ou responsáveis, para que tomem as devidas providências.

Contudo, caso os funcionários notem que haja problemas recorrentes desse consumo, talvez até mesmo o agravamento de uma condição que aparentemente parecia sob controle, uma medida mais abrangente poderá ser necessária. Neste momento, é recomendável a abordagem do problema através de um psicólogo ou outro profissional da saúde, que esteja capacitado para lidar com tal situação, interagindo com os jovens.

Através destas interações será possível entender a origem do problema e propor linhas de ação. Proibir os jovens de utilizarem as áreas comuns ou mesmo dispersá-los é o mesmo que tapar o sol com a peneira, pois se muda o problema de lugar sem que se proponha uma intervenção que seja capaz de resolvê-lo. Talvez migrando para outros ambientes, os jovens acabem então definitivamente livres para utilizar drogas ilícitas mais pesadas.

Em face do que foi relatado, faz-se necessário refletir profundamente sobre a necessidade de realizar, nos condomínios, trabalhos elucidativos sobre o que significa dependência química, objetivando prevenir e remediar a propagação desta doença nos lares dos condôminos, bem como realizar um trabalho de orientação aos pais de como devem lidar com ela caso passem a vivenciar este problema ao longo da vida.

Fonte: Direcional Condomínios