Suba e desça sem medo

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O elevador é, sem dúvida, um dos principais equipamentos no condomínio. Para que ele funcione sempre em perfeitas condições, garantindo conforto aos passageiros e faça jus ao título de modalidade de transporte mais segura do mundo é preciso ter atenção a alguns procedimentos e condutas que garantem a sua eficiência.

O bom funcionamento dos elevadores depende tanto do síndico – ao estar sempre atento à manutenção e às exigências legais – quanto dos condôminos, que devem respeitar as condições de uso do equipamento de forma a não danificá-lo.

Manutenção sempre em dia- A manutenção deve ser feita mensalmente. Nela são revisados todos os itens que podem comprometer a segurança dos passageiros, como cabos de aço, máquina de tração e sistema de contrapeso.

O diretor comercial da Orion Lift, empresa experiente na prestação de serviços nessa área, Leandro Ferreira da Silva, comenta os perigos que a falta desse procedimento pode gerar: “Além dos riscos iminentes do próprio equipamento, existem os corretivos constantes nas partes eletrônicas”.

É comum que as empresas ofereçam diferentes tipos de contratos para melhor atender seus clientes. Silva explica que na sua empresa existem três modalidades.

A primeira delas oferece apenas o serviço de manutenção mensal, que abrange plantão (para o caso de o elevador apresentar complicações no final de semana, por exemplo), mas não cobre as despesas de possíveis peças de reparo.

Em posição intermediária, há a segunda modalidade, que cobre algumas peças.  Por fim, há o plano mais abrangente e com custo mais elevado, que abrange todas as despesas necessárias para o reparo do equipamento.

De acordo com Silva as partes que sofrem maior desgaste são os botões de chamada, tanto da cabina quanto do pavimento, e os sensores eletrônicos. Além disso, nos elevadores mais antigos, que possuem sistema eletromecânico, há o desgaste das escovas de carvão.

Contratar um serviço de manutenção é tarefa que exige atenção e cautela. O síndico deve se certificar da idoneidade da empresa, como explica Alessandro Depercia Salvador, diretor técnico da EWIC Brasil, que atua no ramo de fabricação e assistência técnica de elevadores desde 1953.

Escolha Cuidadosa- “O síndico deve, inicialmente, verificar se a empresa é cadastrada nos órgãos competentes – prefeitura, Estado e União. Precisa ainda certificar-se de que o engenheiro responsável e os técnicos são efetivamente funcionários da empresa. É conveniente também verificar a situação fiscal, para saber se a empresa pode emitir nota fiscal de peças, o que é essencial para assistência técnica em elevadores.”.

Além disso, Depercia ressalta a importância de o síndico exigir a entrega do Relatório de Inspeção Anual (RIA), documento obrigatório por lei que deve ser emitido pelas empresas conservadoras de elevadores após minuciosa vistoria do equipamento.

Fora esses itens de competência, Silva lembra que o síndico deve desconfiar de orçamentos muito abaixo da média. “Além da responsabilidade, a empresa tem sobre seus ombros encargos trabalhistas e tributação. Hoje uma empresa idônea contrata funcionários altamente qualificados, com curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). E também há toda a parte de encargos sociais e trabalhistas”, destaca.

Tempo de Modernização- Desde os primeiros elevadores brasileiros, surgidos no início do século passado até os dias atuais foram muitas as inovações na área do transporte vertical.

O sistema comumente adotado hoje é o VVVS – Variação de Voltagem e Variação de Frequência -, que diferentemente do sistema anterior – eletromecânico – proporciona maior durabilidade, viagens mais suaves, nivelamento mais preciso, economia de energia e menor quantidade de ruídos.

De acordo com Depercia, os equipamentos passaram a operar de modo mais econômico e eficiente. “Os mais sofisticados conseguem entregar aos motores a potência exata que é necessária para cada situação. Novos materiais e técnicas de construção surgiram deixando o elevador extremamente seguro e confiável. Os programas gravados em seus processadores permitem a utilização racional dos equipamentos, o que os deixa ainda mais eficientes e precisos.”

Diante de tantas inovações, um procedimento que tem sido bastante adotado como forma de melhorar o desempenho, a segurança, economizar energia e ainda valorizar o imóvel é a modernização dos elevadores. Pode-se fazer a modernização tanto na parte estética quanto técnica. Segundo o diretor comercial da Orion Lift as três modalidades podem ser definidas assim:

  • Estética – É realizada a troca dos itens que vão dentro da cabina, como subteto, iluminação, revestimento interno (que não pode ser feito em nenhum material de fácil combustão) e piso, podendo-se optar entre granito ou Paviflex
  • Tecnológica – Substituição dos componentes: quadro de comando, fiação, sinalização, portas de pavimento e de cabina, incluindo também alterações estéticas. Na modernização tecnológica total troca-se também o motor e a máquina de tração. “O elevador é composto por cerca de 5 mil componentes. Na modernização tecnológica todos esses componentes são atualizados”, afirma Silva
  • Parcial – É possível escolher os elementos que se deseja substituir, constituindo-se uma escolha mais flexível

A modernização estética dura em média doze dias por equipamento, a tecnológica parcial leva em média 30 a 45 dias, enquanto a total varia de 60 a 90 dias.

Durante esse período o elevador não pode ser utilizado, alerta Depercia. “Sob hipótese alguma se deve utilizar um equipamento que está sendo modernizado, pois elementos de segurança estão sendo manipulados para correção ou alteração. Deve-se confeccionar  um cartaz claro que avise os usuários do perigo.”

Transporte para todos -Além de comodidade, conforto, estética e segurança é importante que qualquer pessoa tenha condições de utilizar o transporte de forma independente, ou seja, ele deve conter recursos de acessibilidade para que pessoas com qualquer tipo de deficiência possam utilizá-lo tão bem quanto os outros passageiros. As fontes consultadas destacaram os itens que permitem a acessibilidade:

  • Corrimão no interior da cabina, para facilitar a movimentação dos cadeirantes
  • Etiquetas com indicação em relevo e código braile, inclusive nos marcos (batentes) das portas
  • Sinais sonoros e luminosos para indicação de botões pressionados e manobras executadas pelo equipamento
  • Substituição dos painéis de comando de modo a garantir o perfeito nivelamento da cabina em relação aos pavimentos, já que os equipamentos antigos não são capazes de nivelar com precisão
  • Botoeiras de pavimento e de cabinas com altura adequada para que o cadeirante possa acessá-las
  • Espelhos, como uma medida de segurança
  • Intercomunicador, que é o canal de comunicação entre os passageiros e a portaria
  • Iluminação de emergência

Aviso aos passageiros -A manutenção, modernização e aplicação de tecnologias que garantem acessibilidade são importantíssimas, mas também é indispensável a boa conduta dos passageiros para que o equipamento siga funcionando de forma segura. Confira algumas dicas que servem tanto para os elevadores de edifício residenciais quanto comerciais:

  • Verifique a direção do elevador para evitar perda de tempo
  • Antes de entrar no elevador, aguarde as pessoas saírem dele
  • Para chamar o elevador basta acionar o botão uma só vez. A insistência ou força podem danificar o sistema e causar a parada do elevador
  • Respeite o número máximo de passageiros indicado na cabine. Exceder esse número, além de ser contra lei é perigoso e pode danificar o equipamento
  • Não impeça a partida dos elevadores por nenhum motivo, isso pode causar transtornos a outros passageiros
  • Se o elevador parar por falta de energia elétrica ou por qualquer outra razão, não se apavore. Contate o porteiro pelo intercomunicador, informe a ocorrência e aguarde a assistência técnica

Fonte: Condomínio em Foco