Sétima arte no condomínio

Que tal requalificar um espaço subutilizado para montar uma sala de cinema?

Sétima arte no condomínio

Nas paredes, quadros de cenas eternizadas por Marilyn Monroe e Charles Chaplin. Poltronas de couro inclináveis e uma tela de projetor de três metros de largura por um e meio de altura proporcionam aos moradores do residencial Miramar a magia do cinema sem sair do condomínio. O edifício no centro de Florianópolis já foi projetado com um espaço dedicado à sétima arte. Mas prédios antigos podem requalificar espaços subutilizados para montar um home theater.

O sistema de som da sala, com 14 lugares, é um diferencial. O próprio síndico Antonio Guidi de Lucca gosta de assistir o gênero de ação no cinema do condomínio por conta da sonoridade do ambiente. “Assisti Transformers aqui e dava para sentir bem o som vindo das caixas”, conta sobre a série de filmes de carros e caminhões que se transformam em robôs.

Com opções de DVD, blu-ray e TV por assinatura, têm moradores que assistem até novela no local. Mas o cinema é aproveitado principalmente nas férias escolares. Para proteger o patrimônio, no Miramar há uma série de regras. Apenas moradores com mais de 14 anos podem agendar horário no espaço, que vai das 8h às 22h de segunda-feira a quinta, e até meia-noite de sexta a domingo. Crianças, só entram acompanhadas. “Na portaria, o morador pega uma caixa com os controles e os funcionários explicam como usar. Também temos um manual”, conta.

De acordo com Lucca, há pouco gasto com manutenção preventiva. Basicamente, é feita a limpeza. No entanto, o custo pode ser oneroso para reparos. “Uma vez, ao invés de utilizarem o controle, mexeram diretamente no projetor. Estragou e levou meses para o conserto, que precisou ser feito em São Paulo. Gastamos R$ 3 mil”, lembra.

Conforme o arquiteto Luiz Fernando Zanoni, a redefinição de áreas subutilizadas em novos ambientes agrega valor ao bem. Segundo ele, a sala de cinema em condomínio é atrativa quando traz opções a mais aos condôminos. “Agrega valor ao empreendimento se tiver um espaço de qualidade, conforto e equipamento superior ao que é possível ter em casa. Se for um local pequeno, não faz muito sentido”, analisa.

Zanoni considera que vale a pena para espaços superiores a 30 m², com capacidade acima de 14 poltronas e aparelhagem diferenciada. Os equipamentos de áudio, o telão, a iluminação, as poltronas e todo o sistema de tratamento acústico custam no mínimo R$ 40 mil.

Tratamento acústico
A arquiteta Mariana Pesca aponta que a principal preocupação é com o tratamento acústico para ficar confortável a quem assiste e não incomodar quem está fora da sala. É preciso fazer um projeto para escolher desde o melhor ponto para o projetor, a iluminação, entre outros elementos do estudo de sala dedicada.

Em um projeto de redefinição de espaço serão necessárias mudanças. Conforme Mariana, piso frio não é ideal. É mais interessante carpete, por exemplo. No caso do teto, se for revestir com gesso liso, é importante usar lã de rocha atrás. Sobre a aparelhagem, trabalha-se com pelo menos um sistema 5.1 (cinco canais para caixas de sons médios e agudos e o chamado subwoofer para os graves) ou até um 7.1 para aproximar o som o mais próximo da realidade.

Segundo Mariana, o arquiteto que coordena deve ter o apoio de uma consultoria acústica. As acomodações dependem do gosto dos moradores. “Têm condomínios que querem deixar a sala com poltronas, parecidas com de cinema mesmo. Outros preferem algo mais despojado, com sofás, por exemplo”, sinaliza.

 

Fonte: CondomínioSC