Segurança em condomínios vai além da tecnologia

Segundo especialista, 60% da segurança em empreendimentos verticais e horizontais depende do comportamento e da postura atenta de moradores e funcionários

A busca por segurança, comum à maioria das pessoas que optam por morar em condomínios, tem levado síndicos e condôminos de empreendimentos verticais e horizontais a investirem pesado em soluções que potencializam o sentimento de proteção contra possíveis ações de roubo e violência dentro de casa. Todo o aparato tecnológico, no entanto, não dispensa a ação humana, fazendo do comportamento e da conscientização de moradores e porteiros um item fundamental na hora de afastar os invasores.

“As pessoas buscam os condomínios por acreditar que eles oferecem mais segurança. Mas, com o aumento da criminalidade, eles também estão mais vulneráveis”, avalia Dirceu Jarenko, vice-presidente de condomínios do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR). Segundo ele, a implantação de equipamentos de segurança torna-se fundamental, pois serve não apenas para inibir a ação de malfeitores, mas para identificar os autores de um delito.

Kit segurança

O “combo” cerca elétrica, alarme e câmera compõe o conjunto básico de equipamentos que os condomínios costumam adotar para assegurar seu patrimônio. Da mesma forma que outros aparatos tecnológicos, eles também estão em constante evolução e oferecem cada vez mais recursos aos usuários. “As câmeras, por exemplo, possibilitam o acesso às imagens a distância, armazenando as gravações na nuvem. O síndico pode selecionar o dia e horário do evento que quer verificar e acessar a gravação direto do próprio celular”, conta Fernando Moreira, diretor da unidade de segurança eletrônica do Grupo GR.

Segundo ele, as cercas elétricas também evoluíram para o modelo industrial, com hastes de ferro, fio de aço e central de choque inteligente, que reduz ocorrência de disparos falsos, como os ocasionados pela queda de galhos. Sistemas de infravermelho, para o controle de circulação, e os biométricos, para o de acesso ao empreendimento e torres, completam as opções.

Outra alternativa, adotada pelo Green Village Park Condominium, é contar com um serviço de vigilância ostensiva. A equipe, que faz o monitoramento da entrada e das ruas internas a pé e de motocicleta, é apenas mais um item do elaborado aparato de segurança do condomínio de 200 lotes, que conta com câmeras, cercas eletrificadas e mecanismos de controle de acesso para moradores, visitantes e prestadores de serviço.

Sandro W. Guaita, representante comercial e membro do conselho de segurança do Green Village, conta que os gastos mensais para manter tudo funcionando chegam a cerca de R$ 40 mil por mês, mas que os moradores – incluindo alguns, como ele mesmo, que já foram alvo da ação de bandidos quando viviam em casas “de rua” –não reclamam em custear. “Agora, estamos fazendo a substituição e inserção de novas câmeras. Os próximos planos são para a instalação das gaiolas”, projeta. O equipamento, também chamado de clausura, funciona com dois portões entre os quais o veículo ou morador fica “preso” até que o porteiro ou controlador de acesso faça a checagem e libere a entrada.

60% da segurança depende da postura de funcionários e moradores

Os especialistas são unânimes em afirmar que o mau comportamento pode comprometer a integridade do condomínio. É essencial, portanto, que o síndico mantenha uma postura de segurança promovendo palestras e distribuindo avisos aos moradores e funcionários com o intuito de deixar todos em alerta para as questões que podem colocar o empreendimento em risco. “A postura corresponde a 60% da segurança. Posso ter o melhor equipamento e equipe, mas, se o condômino não seguir as regras, expõe ele e todos os outros moradores”, explica Marcelo Boza, professor da Universidade Livre do Mercado Imobiliário e Condominial (Unihab), ligada ao Secovi-PR.

Segundo Boza, um dos erros mais frequentes é os moradores deixarem os portões abertos, entrarem sem ter a certeza de que ele travou por completo. Outro ponto que não deve ser esquecido, na opinião dele, é o treinamento direcionado aos porteiros e demais funcionários, uma vez que o equipamento ajuda, mas não tem utilidade sem o elemento humano capacitado para fazer sua leitura. “A atenção ao modus operandi é uma arma para o porteiro se antecipar a um fato”, acrescenta.

Um morador que é sempre falante e comunicativo e que passa “fechado” pela portaria pode denunciar uma situação anormal, de sequestro ou ameaça, por exemplo. Outra situação comum é a de pessoas que se tornam “amigas” do porteiro para colher informações e, posteriormente, realizar assaltos. “O porteiro costuma ser o psicólogo do prédio, mas ele tem a obrigação de guardar as informações que recebe para si e de só apresentá-las à polícia em investigação oficial”, conclui Boza.

 

Fonte: Gazeta do Povo