Saltos, secadores e cães são vilões nos prédios, diz advogado

A mulher que chega de salto alto à noite, o secador de cabelo ligado logo cedo, os latidos na madrugada. Para Márcio Rachkorsky, advogado especialista em condomínios, esses são os barulhos que mais irritam o morador de condomínio.

Uma briga entre vizinhos terminou na morte de três pessoas no final da noite de quinta-feira (23), em Santana de Parnaíba, na Grande SP. O estopim do problema teria sido as reclamações por conta de barulho.

As famigeradas festas que duram a noite toda deixaram de ser as campeãs de reclamação e deram lugar aos pequenos barulhos.

A explicação é simples: festas costumam acontecer poucas vezes ao ano enquanto que os pequenos barulhos são diários.

“As paredes dos prédios novos são muito finas e facilitam esse tipo de problema. Dá para ouvir o seu vizinho tossir, dar descarga.”

Uma pesquisa realizada no segundo semestre do ano passado pela administradora condominial Lello aponta que 40% das multas aplicadas contra moradores de condomínios são motivadas por reclamações de barulho. Mais de mil condomínios participaram da pesquisa.

Os barulhos relativamente baixos, porém constantes, são difíceis de aturar. Por isso, Rachkorsky sugere que o problema seja resolvido usando o bom senso.

Não foi o que uma moradora da Aclimação, zona sul de São Paulo, preferiu fazer.

Segundo Cristiano de Souza, advogado e também síndico do prédio, a mulher se incomodava com o barulho causado por crianças e adolescentes –que sem outro espaço para se divertir, reuniam-se no salão de festas à noite– e recorreu à Justiça pedindo indenização por danos morais.

“Ainda bem que o juiz teve bom senso e propôs que as crianças brincassem no salão de festas até as 22h30″, afirmou Souza.

Afonso Prazeres, síndico do edifício Copan há 20 anos, estabeleceu um esquema de rondas periódicas “para saber como estão as coisas e se existe barulho”.

Administrador de 1.160 apartamentos, Prazeres diz que quando há reclamação procura conversar com ambas as partes e, em última instância, aplicar multas.

Fonte: Folha de S. Paulo