Retrofit e manutenção das fachadas: entenda os conceitos

O engenheiro civil e construtor Roberto Boscarriol Jr. diferencia as situações de restauração e retrofit das fachadas. No primeiro caso, a intervenção propicia “o retorno ao estado original, ou próximo àquele quando foi feito”. Já “quando a aparência do edifício não está mais ‘agradando’, o ideal é remodelar”. Assim ocorre o retrofit, de custo bem maior, mas que “valoriza mais o edifício”. Boscarriol explica que há pequenas variações no uso do termo retrofit pela arquitetura e a engenharia. Na arquitetura, estaria mais próxima da “reconversão” (como transformação do uso ou do perfil original) e, na engenharia, retrofit designa ainda “o processo de modernização de equipamento ultrapassado ou fora da norma” (como nas áreas de elétrica, hidráulica, proteção contra incêndio etc.).

Nesse sentido, o engenheiro chamada atenção para a nova norma ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) quanto ao desempenho dos sistemas construtivos, que passa a valer para os projetos posteriores à edição da mesma. É a NBR 15.575/2013, que altera os parâmetros, entre outros, da vida útil dos elementos da fachada. Ela passa a no mínimo 20 anos (e no máximo 30) tanto para aquelas finalizadas com os chamados materiais “aderidos” (massas diversas, granitos, cerâmicas etc.) quanto os “não-aderidos” (revestimentos em vidro, alumínio, ferro, granito parafusado, entre outros).

Para isso, no entanto, é preciso atender aos prazos mínimos de manutenção. Por exemplo:

Para as paredes externas

  • • Verificar, a cada ano, a calafetação de rufos, fixação dos para-raios, além das antenas e elementos decorativos;
  • • Promover, a cada três (3) anos, lavagem e/ou pintura.

Para caixilhos de alumínio

  • • Providenciar, a cada três (3) meses, sua limpeza geral (se ambiente agressivo) e dos furos do trilho inferior;
  • • Promover, a cada (1) ano, revisão dos freios e parafusos aparentes e limpeza geral (se ambiente ameno).

Para vidros

  • • Verificar, a cada (1) ano, a fixação nos caixilhos e vedações.

No caso de obras mais robustas, como restauração ou retrofit, a troca dos elementos que compõem a superfície da fachada exige a remoção total da existente (seja massa ou cerâmica), e, após lavagem, aplicação de chapisco e emboço (reboco grosso). Depois, prossegue o engenheiro, é preciso nivelar o substrato (parede) e aplicar novo emboço (massa fina) ou cerâmica, utilizando-se massas especiais e rejuntes adequados ou massas raspadas.

“Mas antes de retrofitar a fachada, deve-se contratar um arquiteto que faça um projeto adequado ao existente, dando imagens em 3D para melhor visualização e entendimento dos condôminos, para então orçar a obra”, recomenda o especialista. “Já a troca de caixilhos de ferro ou madeira por alumínio, mais durável, dependerá do orçamento destinado para tanto, lembrando que para cada vão [janela, porta, varandas etc.] existe um perfil apropriado de material”, completa o engenheiro.

 

Fonte: Direcional Condomínios