Reeleições sucessivas: bom ou ruim?

Conheça os prós e os contras das gestões que se perpetuam e veja como estimular o interesse pela função de síndico

reeleição 1Encontrar quem queira assumir a função de síndico é cada vez mais difícil, e quem assume acaba ficando por anos à frente do condomínio.

As reeleições sucessivas, no entanto, são na maioria das vezes uma demonstração de confiança dos condôminos no síndico. Sinal de que foi correto, defendeu os interesses de todos e procurou amenizar eventuais conflitos, fazendo com que o condomínio tivesse valorização pela boa manutenção e pela qualidade da convivência entre os condôminos.

Para o empresário carioca Manoel Maia, presidente do Conselho Deliberativo da Abadi (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis), há mais prós que contras na questão das reeleições sucessivas.

Na avaliação de Maia, que já foi por várias gestões presidente da Abadi, as reeleições são negativas quando acontecem como fruto de procurações, em detrimento da resistência de um grupo razoável de condôminos.

“É preciso que o síndico tenha bom senso, não impondo a sua reeleição usando procurações, desrespeitando ainda que uma minoria de moradores com argumentos ponderáveis quanto à qualidade de seu trabalho. Não sendo assim, a reeleição vem naturalmente, como reconhecimento pela qualidade da gestão”, esclarece.

Sentimento de realização

Há dez anos sendo reeleito no condomínio Via Rafael, em Vila Isabel, no Rio, Luiz Fernando Duarte de Lima, diz que o tempo foi fundamental para que conseguisse realizar um bom trabalho.

Quando assumiu, o prédio tinha muitas obrigações pendentes, grande número deinadimplentes e necessitava de investimentos em obras de manutenção. Segundo ele, foram precisos quatro anos para “colocar a máquina no trilho”.

“A ideia não era a de ficar tanto tempo. É pesado, por vezes interfere na vida profissional e pessoal, mas foi necessário. Depois, ver tudo funcionando bem, faz a gente querer continuar”, conta.

Devidamente conservados, os imóveis tiveram valorização, os condôminos reformaram suas unidades, a qualidade de vida aumentou e o síndico passou a ser reeleito por unanimidade.

“Com a casa em ordem, centramos as ações no bem-estar do morador, através da oferta de serviços, o que teve forte impacto na convivência. E é muito bom saber que você fez parte disso”, explica.

A realidade do Via Rafael não difere do que acontece em grande parte dos condomínios do País.  Nos dez anos de gestão de Lima, apareceram apenas dois candidatos ao cargo, que, por não terem histórico de participação na administração, não foram eleitos.

Para o síndico, os condôminos dão um voto de confiança naquele que já fez alguma coisa peloprédio, e é por isso que investe na identificação de moradores que tenham o perfil para assumir determinadas funções e até para substituí-lo.

“O edifício é a continuação de nossa casa e queremos vê-lo sempre cuidado. Então, a nossa preocupação é encontrar alguém que possa dar continuidade ao trabalho, porque para destruir não custa nada, mas para construir leva tempo”, ressalta.

É a mesma sensação que mantém Álvaro Perez, pelo dobro do tempo, à frente do condomínio Maison Paix, na Lagoa, Rio de Janeiro.  Há 20 anos ele administra o prédio residencial, contando sempre com o apoio incondicional dos moradores, sem se cansar, mas atento a possíveis substitutos que possam inovar, sem desfazer o que já foi feito.

Para ele, a alternância é positiva, se considerado o fato de que pode haver aqueles que acabem se acomodando na função, sem nunca buscar oferecer algo novo. Porém, o mais importante é saber se junto com o interesse está a capacidade. “Alternar seria bom, mas se o novo não conseguir dar conta, de nada adiantará ser uma pessoa diferente”, considera.

Ele avalia que entre os prós das gestões sucessivas está o fato de que com o tempo é possível aprender as “manias” do condomínio, o que facilita a tomada de decisões.

“Dessa forma é possível dar continuidade ao trabalho e aproveitar o seus frutos. Seria muito triste, ver tudo ir por água abaixo depois de tanto tempo”, afirma.

Passagem do bastão

A eleição de síndico é feita de dois em dois anos, ou conforme determinar a convenção do condomínio, em assembleias, com possibilidades ilimitadas de reeleição. Eleito entre os condôminos, o síndico pode ser pessoa física ou jurídica, proprietário, ou não, desde que os condôminos o escolham.

Para implementar sua gestão, conta com a ajuda do corpo diretivo, composto por subsíndico e conselho consultivo. Mas, os mais bem-sucedidos, invariavelmente, contam com o apoio da maioria dos moradores.

Assim, ampliar a participação dos moradores é fundamental para ter com quem contar na hora em que quiser, ou precisar passar o bastão. Ela deve ser estimulada nas assembleias e também nas comissões que não precisam ser somente as de obras, mas para as diversas ações que têm de ser empreendidas no condomínio. “Isto alivia a sobrecarga do síndico”, sugere Maia.

Ele aconselha sondar moradores que se enquadrem no perfil de um administrador de condomínio e ir, aos poucos, conquistando a sua participação. “Dar transparência à gestão é outra forma de conquistar a participação. Cientes do que é feito, aprendem o que faz um síndico e podem querer dar a sua contribuição”, conclui.

Dicas para estimular a participação dos moradores

  • Mantenha uma política de sugerir, com pelo menos um mês de antecedência, que os interessados na vaga expressem sua vontade. Isto permite um tempo para que possam conversar sobre projetos em andamento, o que precisa ser mantido e necessidades do condomínio, planejando juntos a troca de gestão
  • Os candidatos devem expor para os demais condôminos suas propostas para o condomínio, o que pode ser feito através do quadro de avisos e outras formas de comunicação. Dê a eles todo o suporte que precisarem
  • Todo o síndico deve manter uma comunicação regular com os moradores, apresentando suas realizações. Ao final da gestão, terá um relatório de ações empreendidas no período pronto para apresentar. O documento dá uma ideia de quais são as funções de um síndico
  • Evite polemizar e atue como gestor de conflitos, caso apareçam chapas divergentes. Aconselhe a moderação e chame a atenção para o mais relevante, que é a manutenção do condomínio sempre em boas condições de funcionamento e boa convivência

Fonte: iCondominial