Quem guarda, tem!

Por Carla Farias

Captar água da chuva é uma das alternativas para preservar o meio ambiente e economizar dinheiro

O estado da Bahia é um dos mais atingidos pela seca: 275 municípios estão em estado de emergência e, em 53 deles, foi adotada a medida preventiva do racionamento de água. Dentro deste cenário, em que a estiagem já é considerada a mais grave dos últimos 60 anos, é importante que cada um faça a sua parte para usar a água de forma racional, e uma das formas dos condomínios re­sidenciais e comerciais contribuírem é implantar sistemas de captação e reaproveitamento da água da chuva.

O maior causador do racionamento é a falta de chuva, mas a cultura do desperdício e o desrespeito com a natureza vêm esgotando este recurso ao longo dos anos. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) mais de 1 bilhão de pessoas poderão sofrer com a falta de água em um futuro bem mais pró­ximo do que se imagina. Assim, seguindo o ditado de que “Quem guarda, tem!”, porque não adotar medidas para preservar o que não está tão abundante por aí?

Manuela de Souza molhando

as plantas com a água da chuva

Empresas especializadas fornecem sistemas de captação de água da chuva, que pode transformá-la em água potável, ou não. “Implantar um sistema desse significa uma grande responsabilidade social e ambiental. Você economiza nos gastos do condomínio e preza por um recurso escasso, que já está fazendo falta na casa de muita gente. Algumas construtoras já estão entregando os empreendimentos com esse sistema, são as chamadas construções sustentáveis, que estão cada dia mais frequentes”, disse João Miranda, engenheiro e proprietário de construtora de imóveis.

O village Passaredo, no Imbuí, foi construído há 5 anos com uma estrutura que possibilita o uso racional da água. O condomínio conta com um tanque com capacidade de armazenar até seis mil litros de água de chuva, que é direcionada para uma torneira na área externa, onde os moradores enchem baldes para lavar a área comum, mo­lhar a grama, as plantas e lavar os carros. “E a economia não para por aí.

Colocamos arejador em todas as torneiras dos banheiros e das co­zinhas, que poupa até 50% da água utilizada, a última água da máquina de lavar, também é reaproveitada e as descargas foram reguladas para receberem até três litros e não seis, como é o costume” disse Manuela de Sousa, que já morou uma época no village e participou da construção.

Pensando no futuro dos recursos hídricos e se prevenindo de uma possível falta de água, Paulo Rangel, proprietário de uma concessionária de veículos em Vitória da Conquista, cidade que está em racionamento de água, resolveu canalizar as calhas do seu estabelecimento para coletar água de chuva. “A chuva cai nas calhas, a água vai para uma tubulação e é distribuída em túneis. É uma medida simples, mas que faz toda a diferença. A água acumulada é utilizada para fazer a limpeza dos veículos e limpar o escritório. Com isso, também economizamos muito na conta de água, só pagamos a taxa de consumo mínimo”, informou.

Legislação

O senador João Durval apresentou uma proposta através do projeto de Lei 112/2013 que obriga todas as edificações, comerciais ou residenciais, a serem construídas com sistemas de captação e reaproveitamento da água da chuva, sendo aprovada, todos os estados brasileiros irão seguir a determinação. Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba já têm leis que obrigam as construtoras implantarem este sistema.

Fonte: Revista Cadê o Síndico