Quando o problema é o morador

Quando o problema é o morador

A insegurança nas ruas tem levado muitas pessoas a optar por condomínios para morar. E com estruturas cada vez mais completas e aparelhadas, os empreendimentos grandes têm se transformado praticamente em mini-cidades.

Mas, até que ponto se está totalmente seguro dentro de um condomínio? Como saber se quem habita essa comunidade tem uma boa índole? Tráfico de drogas, furtos e outros delitos também podem ser causados por condôminos, colocando em risco a segurança de todos os demais moradores.

Acostumado a lidar de perto com a insegurança urbana, o tenente-coronel da Polícia Militar, Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior (foto acima), destaca que em primeiro lugar é preciso compreender que um condomínio, por mais estruturado que seja, não é uma ilha.

Por isso, qualquer ação preventiva deve levar em consideração, além das vias de acesso e da vizinhança, também as pessoas que vivem e frequentam o local diariamente.

De acordo com Araújo Gomes, algumas estratégias já consagradas na proteção dos condomínios contra terceiros também servem para a segurança interna e dificultam os crimes, a violência ou incivilidade que possam ser praticados por moradores ou colaboradores.

“Internamente há estratégias que aumentam a segurança e reduzem o risco, como aumentar o risco para quem comete tais atos, diminuir os benefícios para quem transgredir as normas e, finalmente, orientar e reduzir a possibilidade dos indivíduos agirem inadequadamente por falta de conhecimento sobre as regras”, esclarece o policial.

Identificação

Na avaliação de Araújo Gomes, assim como na proteção contra atos ilícitos causados por indivíduos de fora do condomínio, evitar problemas causados por moradores ou colaboradores envolve combinar o uso de tecnologia, como câmeras e alarmes, a adequação do espaço como a iluminação e, finalmente, ter os próprios moradores como aliados, cobrando uns dos outros e trazendo sugestões.

O tenente da PM sugere que se faça sempre uma boa análise dos riscos para identificar, caracterizar e priorizar os incidentes mais prováveis e relevantes. Identificar, por exemplo, se os problemas mais comuns são relacionados a furto de bicicletas ou ao uso de drogas no playground, briga entre vizinhos, horário das festas etc.

Com base na análise pode-se montar um plano de gerenciamento de risco, para diminuir a probabilidade de estes incidentes ocorrerem ou minimizar as consequências.

“Se o bicicletário possui trancas individuais o prejuízo será menor do que se ele for um cômodo único com todas as bicicletas soltas no seu interior”, exemplifica o policial.

Após a análise, Gomes explica que é possível, então, discutir e amadurecer com os próprios condôminos as ações a serem tomadas para legitimar as iniciativas e alterações a serem feitas. Desta forma se conseguirá apoio e colaboração quando forem implementadas.

“Para que isso ocorra, é importante ter ajuda profissional de uma empresa especializada ou da própria Polícia Militar”, recomenda o tenente.

Por Graziella Itamaro

Fonte: CondomínioSC