Quadros com fundo de madeira para circuitos elétricos dos condomínios: podem ou não?

“A instalação elétrica deve ser concebida e construída de maneira a excluir qualquer risco de incêndio de materiais inflamáveis, devido a temperaturas elevadas ou arcos elétricos. Além disso, em serviço normal, não deve haver riscos de queimaduras para pessoas e animais”.

Muitas vezes sou questionado sobre os fundos de madeira nos quadros de energia elétrica, sejam eles de comando, proteção ou medição. A questão é: pode ou não se instalar fundos de madeira para os circuitos elétricos das edificações?
Pois bem, se buscarmos amparo na norma técnica de instalações elétricas de baixa tensão (ABNT NBR 410/2004), vamos encontrar no item 4.1.2, em Princípios Fundamentais, o tema da Proteção Contra Efeitos Térmicos. E a norma diz:

“A instalação elétrica deve ser concebida e construída de maneira a excluir qualquer risco de incêndio de materiais inflamáveis, devido a temperaturas elevadas ou arcos elétricos. Além disso, em serviço normal, não deve haver riscos de queimaduras para pessoas e animais”.

Ainda no item 5.2 da mesma norma (Proteção contra Efeitos Térmicos), no tópico sobre generalidades (5.2.1), encontraremos o seguinte texto:

“As pessoas, bem como os equipamentos em materiais fixos adjacentes a componentes da instalação elétrica, devem ser protegidos contra os efeitos térmicos prejudiciais que possam ser produzidos por esses componentes tais como:

  • Risco de queimaduras;
  • Combustão ou degradação dos materiais;
  • Comprometimento da segurança de funcionamento dos componentes.”

Se continuarmos nos baseando na norma, teremos ainda os itens 5.2.2.1.1 e 5.2.2.1.2, os quais versam, respectivamente, sobre a necessidade de os componentes da instalação não representar perigo de incêndio para os materiais adjacentes; e, no caso de elementos fixos da instalação, deve ser atentado para que se algum componente puder atingir temperaturas que possam provocar incêndio, eles terão que ser protegidos por materiais que façam o isolamento térmico, ou estar separados por materiais que façam este isolamento, ou, ainda, afastados suficientemente para que não atuem como um ignitor do incêndio.
Bom, quis trazer para esta discussão o fato de que o quadro de madeira não é proibido em uma instalação elétrica, a menos que esta possa atingir valores de temperatura que venham a queimar o material de fundo, estando todo esse conjunto, provavelmente, fora das especificações. A Figura 1 abaixo mostra um quadro que sofreu um princípio de incêndio.

Figura 1 – Quadro elétrico com fundo de madeira danificado por princípio de incêndio

Por outro lado, se não é proibido o uso de madeira em instalações elétricas, temos os demais problemas inerentes ao material, que quando atacado por cupins, por exemplo, pode iniciar um processo de degradação, culminando com um risco enorme de acidentes que poderão atingir alguém, como mostram as Figuras 2 e 3.

Figura 2 – Quadro elétrico atingido por cupins

Figura 3 – Quadro elétrico atingido por cupins

Observe que ao deteriorar a base de madeira, o cupim criou uma espécie de serragem que foi depositada sobre os fios. Neste caso, o ponto de fulgor (temperatura mínima capaz de dar início à combustão) da serragem é muito menor do que a madeira, portanto, não precisa de tanto calor para se iniciar um incêndio. Creio que você que tem em seu prédio situações como essa já entendeu o risco que está correndo, ou melhor, que o edifício e os demais moradores estão correndo, certo?

Para resumir a história, temos que a madeira não é proibida, porém, o emprego desse material deve ser avaliado com relação à temperatura que a instalação irá atingir. Além disso, a conservação da madeira com relação a situações estranhas, como cupins, umidade, apodrecimento, é que deve ser a prioridade.

Mas lembre-se de que, se você não tem conhecimento do assunto eletricidade, não se meta a mexer nisto. Além da possibilidade de haver incêndio e queimaduras, conforme já citamos, há o risco de choque e arco elétrico, os quais podem causar acidentes fatais.

Fonte: Direcional Condomínios