Os conflitos que envolvem as crianças

Foto: Verônica Pacheco

A vida em condomínios traz algumas limitações, não apenas para os adultos e jovens, mas, principalmente, para os moradores infantis. Jogar bola na garagem, brincar no saguão de entrada, fazer barulho pelos corredores e molhar o elevador depois de sair da piscina são só algumas das questões mais comuns causadas pelas crianças e que criam desentendimentos entre os condôminos. No mês em que se comemora o Dia Mundial da Infância, a data – 21 de março -, que foi instituída pela Unicef (em inglês United Nations Children’s Fund), é uma oportunidade para ampliar as discussões que visam garantir os direitos e melhorar a qualidade dos condôminos.

Diretor de condomínios de uma administradora, Carlos Samuel de Oliveira Freitas afirmou que os principais problemas relatados por moradores são o barulho, a depredação do patrimônio, a utilização da piscina e da sala de jogos fora dos horários estabelecidos, o uso de trajes de banho no elevador social e a aglomeração de jovens nos corredores.

Para ele, o primeiro aspecto para prevenir problemas com as crianças do condomínio é criar áreas comuns de lazer. “Elas aprontam quando não têm nada para fazer”, comentou o diretor. Freitas acredita que com muito diálogo e participação, além da ênfase no lazer e nos esportes, é possível diminuir os conflitos e garantir uma melhor qualidade de vida no condomínio.

A criação de espaços exclusivos para as crianças, locais em que elas possam se reunir e brincar são ótimas soluções. Algumas alternativas sugeridas pelo diretor de condomínios é a instalação de brinquedos como pebolim e tênis de mesa em uma sala pouco utilizada pelo condomínio, uma brinquedoteca, ou simplesmente uma sala para ver TV.

Síndico mirim

O administrador de condomínios disse que as crianças gostam de participar de tudo o que podem. Envolvê-las em iniciativas de reciclagem de lixo, convidá-las para assistirem e participarem das assembleias gerais ou instituir a eleição de um síndico mirim, que ficaria encarregado de levar ao síndico as sugestões e necessidades das crianças, são ideias que fazem com que esses “minicondôminos” façam parte do que está acontecendo, se sintam importantes e com isso colaborem, sugeriu Freitas. Ele ressaltou que é fundamental que a criança se “enturme” no condomínio tanto quanto na escola, “o que ela gosta, ela não destrói”, afirmou.

Invariavelmente, para todo e qualquer problema com as crianças, o melhor caminho é o diálogo – por isso, desde o começo é preciso que o condomínio deixe claro para os pais, as babás e para as próprias crianças quais são as normas que devem ser cumpridas.

O administrador lembrou também que funcionários de limpeza e portaria não têm a obrigação de cuidar das crianças. Para isso, é preciso contratar profissionais de recreação especializados.

“Nas férias, por exemplo, é interessante ter monitores responsáveis e que desenvolvam atividades diárias com as crianças. Se os condôminos que não têm filhos não concordam com esse serviço e não entram em acordo, o ideal é fazer um rodízio entre os pais das crianças, assim não existe desgaste de um só lado – e o convívio pode se tornar ainda mais prazeroso, inclusive, entre os pais, que, por meio das brincadeiras realizadas com os filhos, acabam se conhecendo também”, concluiu.

Fonte: Folha do Condomínio