“O síndico profissional valoriza o imóvel”

Sergio Craveiro fala sobre profissionalização de condomínio: “Quem cuida do prédio, cuida do investimento”

Novos condomínios e muitos prédios em construção, que em breve serão habitados por centenas de pessoas em Curitiba, ampliam o mercado de trabalho para síndicos. Visto por muita gente como um “abacaxi” ou ocupado por alguém que está apenas “quebrando o galho”, o cargo de síndico está ganhando novo status. Exercida profissionalmente, a função gera mais segurança para os moradores e é rentável para o titular do cargo – ganhos entre R$ 3 e R$ 8 mil vêm chamando atenção, inclusive, de profissionais de outras áreas. Cursos de especialização em administração condominial são o melhor caminho para a profissão. A reportagem da Gazeta do Povo conversou com o administrador paulista Sérgio Craveiro, especialista no assunto, que ministra cursos e defende a profissionalização do setor.

Qual o objetivo do movimento pela profissionalização do síndico?

Pessoas que assumem o cargo sem experiência em administração podem causar muitos problemas, pois o síndico é o responsável na Justiça pelo condomínio. Hoje, em cada esquina vemos um novo prédio pronto ou sendo construído. Quem vai comandar o condomínio precisa ter habilidades de gestor. É como uma empresa: não tem fins lucrativos mas tem receita, despesa, funcionários e manutenção. A profissionalização é um movimento natural.

Há relação com a retomada do mercado imobiliário a partir de 2008?

Sim, o Brasil está crescendo e as oportunidades vêm junto. Além disso, os condôminos não aceitam mais que alguém sem nenhuma noção de administração assuma um cargo importante. Uma gestão ruim significa mais gastos para todos. Além disso, é um ramo promissor. É possível ganhar dinheiro sendo síndico.

Há casos em que um morador assume o cargo sem remuneração, e em troca, tem isenção da taxa de condomínio. Dá para ganhar bem como síndico?

A remuneração inicial de um síndico profissional varia entre R$ 3 e R$ 8 mil, quando a pessoa entra na profissão com alguma preparação, como curso de pós-graduação ou curso específico. Dependendo do dinamismo e da possibilidade de cada um, é possível administrar entre cinco e dez condomínios. Se o síndico for morador, a recomendação não é que seja isento da taxa, mas que receba remuneração pelo trabalho de gerenciar o prédio.

Síndicos profissionais estão sempre ligados às empresas administradoras ou podem oferecer o serviço como autônomos?

Pode ser das duas formas.

Quais entidades estão se mobilizando pela profissionalização?

Temos a Confederação Na­­cional dos Síndicos, que aos poucos se consolida nos estados. No Paraná, o Sindimóveis está antenado na questão, pois o imóvel bem administrado é mais valorizado. Temos também o Sindisin, que é o sindicato dos síndicos, e o Conselho Regional de Administração. A Fesp (Faculdade de Ensino Superior do Paraná) terá curso de gestão condominial.

Como é a formação?

Inclui as áreas contábil, financeira, de administração, de gestão e leis. Além de aprender sobre a legislação e normas, a preocupação é mostrar como levar as questões aos condôminos nas assembleias, que devem ser vistas como uma reunião de empresa. Têm de ser objetivas e o síndico precisa estar preparado para lidar com as situações. É responsabilidade dele tornar a reunião interessante e produtiva.

O cargo ainda é visto como um “abacaxi”?

As pessoas enxergam o síndico como voluntário, e nesse “voluntariado”, ele acaba tendo de resolver problemas alheios à função. Mas, com um trabalho bem feito, os moradores deixam de tratar o condomínio com desdém e passam a se preocupar com o seu prédio de forma mais interessada, e não como algo maçante.

Fonte: Gazeta do Povo