O quebra-quebra de condomínios

A destruição do bem comum é um problema que afeta quase todas as cidades brasileiras e muitos condomínios, sejam eles simples ou sofisticados. Há síndicos que simplesmente ignoram o problema, outros aplicam medidas muito rígidas e há quem transfira a responsabilidade para os pais. Como reagir ao vandalismo?

A destruição do patrimônio de uma cidade é um dos maiores pesadelos dos órgãos públicos. Telefones públicos quebrados, praças destruídas, obras de arte pichadas. Em menor proporção, os condomínios enfrentam os mesmos problemas, exigindo medidas severas por parte dos síndicos. Qual síndico já não passou pela situação de consertar, arrumar, pintar uma área ou equipamento do condomínio e, logo depois, ver tudo novamente danificado? Atos de vandalismo acontecem em praticamente todos os condomínios. Prédios simples ou sofisticados, nenhum está imune à ação dos vândalos. São extintores que se transformam em brinquedos nas mãos de adolescentes, móveis que são jogados dentro da piscina durante a noite, botoeiras de elevadores que são queimadas, portas e cabines de elevadores riscadas, paredes pichadas, entre inúmeras outras atitudes pouco civilizadas.

O que fazer: investigar o nome dos responsáveis pelo prejuízo? Aplicar imediatamente a multa? Promover um trabalho preventivo com os infratores – que também podem ser adultos? Ou simplesmente ignorar os fatos? Normalmente, as atitudes de destruição partem dos próprios moradores, principalmente crianças e adolescentes. Muitas vezes acompanhados de amigos que nem moram no prédio, andam em grupo e, em ambientes longe de vigilância, eles aproveitam para aprontar alguma. Aprontar pode até fazer parte de uma adolescência normal. Os jovens, especificamente, são ruidosos, têm necessidade de ocupar espaço. Porém, eles precisam aprender a ocupar seu espaço de maneira adequada. Apertar a campainha do vizinho e sair correndo é considerado uma brincadeira de criança perto de certos atos de vandalismo corriqueiros em condomínios.

Muitos síndicos esbarram na omissão das famílias – que acreditam haver uma perseguição contra seu filho e se negam a acreditar que o jovem tenha feito algo fora dos padrões normais de comportamento. Mas a autoridade do síndico deve ser utilizada para manter a ordem e muitos deles desconhecem que possuem ferramentas legais para disciplinar o prédio, como multas e advertências. Não se trata de autoritarismo, mas de utilizar o poder que lhe foi concedido pelos próprios moradores. Além disso, síndicos omissos podem estimular atos de violência repetitivos.

Há condomínios que se tornam alvo de grupos de adolescentes rivais. Para atingir um grupo, adolescentes de prédios vizinhos arremessam ovos, tomates e pedras nas vidraças do outro prédio, atingindo até moradores e funcionários do outro prédio. Quando isso ocorre, as medidas precisam ser tomadas em conjunto, com todas as partes envolvidas: um síndico não pode simplesmente acusar o outro, achando que ele não tem nenhuma participação na solução.

Prevenção

Há prevenção contra os vândalos? José Elias de Godoy, consultor de segurança em condomínios, acredita que artifícios como câmeras falsas caíram em descrédito. Segundo ele, para proteger o patrimônio dos atos de vandalismo, é necessário trabalhar com a conscientização dos condôminos e investir em equipamentos de proteção, como circuito fechado de TV. Na opinião do especialista, o CFTV funciona como um vigia eletrônico, garantindo uma visão global do prédio, mesmo de locais isolados ou fora do alcance do porteiro – desde que as câmeras estejam instaladas em pontos estratégicos do condomínio.

Fonte: Jornal do Síndico