O primeiro síndico

Assumir a administração de um condomínio que está começando  a ser ocupado traz desafios ao síndico pioneiro

A paisagem urbana está passando por uma acelerada mudança em seus padrões de moradia e é cada vez mais comum vermos casas e terrenos darem lugar a prédios residenciais. De acordo com um levantamento da Lello Administradora, São Paulo – a mais populosa cidade brasileira – ganhou mil novos condomínios e aproximadamente 210 mil moradores de apartamentos nos últimos cinco anos. Os dados demonstram uma tendência que se espalha por todo o país.

A administração de um condomínio recém instituído traz grandes desafios ao síndico pioneiro, sobretudo se ele nunca teve uma experiência anterior, como é o caso do Relações Públicas de 29 anos Wister Galvão, que é o primeiro síndico do condomínio São Gabriel, em João Pessoa (PB). A ocupação do cargo se deu involuntariamente em dezembro de 2013: a construtora já havia registrado a Convenção e nomeou os componentes do condomínio pela ordem de recebimento dos imóveis, como ele foi o primeiro a receber as chaves, foi instituído como síndico.

Como elaborar uma gestão sem ter parâmetros anteriores? Formatar um regimento interno, decidir regras e penalidades, estipular um orçamento para o mandato foram algumas das dúvidas enfrentadas por Wister quando assumiu a sindicância do condomínio que começava a ser ocupado por outros moradores. “Além da dificuldade pela inexperiência, foi trabalhoso realizar um projeto sem referências de propostas anteriores, acrescentando-se o fato de lidar com um grupo de pessoas completamente desconhecidas. Todo este processo exigiu bastante pesquisa e coleta de opiniões dos novos proprietários, mas por fim tudo foi elaborado e acordado entre todos. O esforço valeu a pena”, comenta.

Há alguns procedimentos iniciais que devem ser verificados e, caso a construtora já não os tenha feito, devem ser requeridos pelo primeiro síndico: Inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social para que o condomínio possa contratar funcionários, solicitar na Prefeitura Municipal o Solicitar o desmembramento do IPTU por unidade, convocação de uma assembleia inaugural para formação de conselho que redigirá o Regimento Interno e elaboração da Convenção (é recomendável contar com assessoria jurídica). Após o cumprimento desta etapa, deve-se registrar o condomínio, bem como sua Convenção, no Cartório de Registro de Imóveis.

Afora as questões burocráticas, o novo síndico também precisa se preocupar em administrar a rotina do condomínio, incluindo os pequenos conflitos do cotidiano. Wister Galvão considera a posição do síndico delicada e às vezes até arriscada. “Ouvir o que desagrada os outros nunca é algo positivo, mas de fato o que mais irrita são as pequenas contendas geradas por comportamento inadequado de alguns condôminos. Gerenciar estes conflitos é sempre uma tarefa complicada e exige bastante cuidado”, avalia.

Apesar dos desafios que se apresentam, o síndico considera seu trabalho recompensador. “É sempre bom ter a certeza de poder fazer o melhor para o ambiente em que se vive, sinto-me gratificado quando consigo colocar em prática ideias que nos façam sentir felizes, tranquilos e seguros em nosso condomínio”.

Fonte: Jornal do Síndico