O mapa da obra

Consultamos especialistas em infraestrutura para elencar o que pode e deve ser feito em uma reforma. São nove conselhos valiosos para garantir mais segurança a seus planos

Texto Carol Scolforo | Ilustrações Graziella Mattar
Graziella Mattar

Uma casa revigorada, com a sua cara, muito mais segura. Isso é tudo o que você deve visualizar ao planejar uma reforma. esqueça por um momento o pacote poeira, atraso e dor de cabeça, porque a probabilidade de tudo isso vir junto com qualquer obra é grande. Uma boa revisão na estrutura da casa ou do apartamento é necessária de tempos em tempos, quando a construção começa a dar sinais de esgotamento. A parede tem fissura? o azulejo está oco? o piso afundou? Nada de maquiar os estragos. Prepare-se para o quebra-quebra.

Como diz o engenheiro Francisco Kurimori, presidente do Conselho regional de engenharia e agronomia de São Paulo, Crea-SP, a casa é como o corpo humano. “Quando temos uma dor de cabeça, sabemos que ela é um sinal de que algo não está bem e procuramos o médico. Com o prédio é a mesma coisa. Uma trinca, uma infiltração são sinais de que alguma coisa está errada.” Nesse caso, ele orienta chamar um profissional habilitado, que, depois de fazer correta avaliação, vai dar seu diagnóstico. aí está o primeiro segredinho que parece caro, mas não é: esqueça a opção “pedreiro de confiança” e prefira um arquiteto ou engenheiro para avaliar o que precisa ser feito. Isso vai fazer você economizar dinheiro e evitar dores de cabeça, além de deixar tudo mais seguro. Assim também é possível saber dos materiais mais adequados, que técnicos contratar e que etapas serão seguidas – pode acreditar, ficar de olho nisso tudo sendo leigo dá um trabalhão. “o ideal é procurar profissionais especializados, que podem recomendar materiais de qualidade, resguardando-o de desagradáveis surpresas”, aconselha Gisleine Coelho de Campos, engenheira civil responsável pelo Centro de Tecnologia de obras de Infraestrutura do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IPT.

O mesmo aconselha o engenheiro civil e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alexandre Tomazeli, especialista em patologia, diagnóstico e terapia de estruturas de concreto. “Às vezes uma inocente trinca inclinada, que para um leigo pode não parecer nada, para um especialista pode indicar até a deformação excessiva da laje ou viga de apoio da parede.”

Por fim, encare tudo com paciência: a quebradeira uma hora acaba, e ficam para sempre os benefícios e a gostosa sensação de casa nova – muito mais segura.

Graziella Mattar

1. Quando começar

Não há um período certo que determine reformas. Em geral, é preciso ficar atento aos sinais que a casa dá. “Fissuras, descolamentos e afundamentos de piso, entre outros, são sinais de que algum problema pode estar ocorrendo”, explica a doutora em engenharia civil Gisleine Coelho de Campos, do IPT. O engenheiro Alexandre Tomazeli, professor da Universidade Mackenzie, acrescenta à lista de sintomas as trincas, os bolores ou até mesmo uma simples bolha na parede de divisa da fachada de um apartamento.

2. Custa caro?

O material da moda, mais caro, pode ser substituído por um mais em conta. “Há opções boas e de custo relativamente baixo”, destaca Gisleine. No entanto, por mais que se consiga economizar fazendo orçamentos, esteja preparado para gastos extras. Existem linhas de crédito com juros mais baixos para reformas. Só fique atento ao barato demais, que pode sair caro: “Um material que não atenda às condições de durabilidade e desempenho sempre será mais barato no começo, porém mais caro depois de um tempo, já que pode exigir maior manutenção”, lembra Alexandre Tomazeli.

3. O que fazer sem ajuda

Quer baratear a obra? Faça você mesmo coisas mais simples, como pintar paredes, portas, clarear ou aplicar rejuntes nos revestimentos. “O morador sozinho pode fazer isso, desde que não existam trincas nas paredes ou pisos que evidenciem um problema mais grave”, explica Tomazeli.

4. Quem contratar?

Se a reforma envolver qualquer quebraquebra, principalmente com base em algum dos sintomas ruins, procure um arquiteto ou engenheiro ou tecnólogo de edificações para que ele dê um laudo do que precisará ser feito. Lembre-se ainda de buscar referências sobre trabalhos anteriores do profissional para avaliar se ele é experiente.

Graziella Mattar

5. Os eleitos

A escolha dos materiais influencia tudo, inclusive a qualidade e a durabilidade da obra. Usar revestimento de área interna em uma área externa, por exemplo, é algo a evitar, já que o material poderá durar menos se utilizado em lugar errado. “Em uma fachada voltada para o mar, um acabamento texturizado não terá a durabilidade de uma cerâmica, pois a textura acrílica é o alimento perfeito para os fungos, devido à ação da maresia”, explica Tomazeli. Ele orienta a escolher o material pensando na durabilidade, absorção e resistência.

6. Planeje, planeje, planeje

Não adianta deixar tudo na mão de um “pedreiro de confiança”. Para Tomazeli, o primeiro passo de uma reforma é contratar um profissional habilitado, com registro em entidade como o Crea. Com o projeto em mãos, ele vai fazer uma planilha do material e da quantidade a serem comprados. Depois, é hora de partir para os orçamentos com as empresas e profissionais que vão executar a obra. Faça contratos com todas as empresas. No fim de cada serviço, tenha um check list das pendências. “Quando estiver em vias de terminar a obra, veja se tudo está conforme o combinado. O termo de entrega só deve ser aceito com as garantias (de durabilidade) especificadas”, acrescenta Tomazeli.

7. Atenção ao quebra-quebra

Em tempo de integrar os ambientes é preciso muito cuidado. “Somente paredes de vedação podem ser removidas”, lembra Gisleine. Jamais faça alterações em paredes estruturais: há risco de comprometer a estabilidade do imóvel. Até nichos só podem ser feitos em paredes neutras, de vedação – e um profissional da área saberá apontá-las. Mudanças em paredes de vedação também devem seguir certos critérios. E sabe aquele pilar que atravanca tudo? Nem pensar em removê-lo.

8. A garantia

No fim de toda reforma, o engenheiro Alexandre Tomazeli aconselha pedir uma carta de garantia, com base no check list dos serviços que foram contratados. “Essa garantia vale por cinco anos”, diz Tomazeli. Em construções mais antigas, são indicadas vistorias anuais, principalmente em regiões litorâneas, expostas a agentes corrosivos.

9. Chame o síndico

Muita gente pode achar exagero, mas, para quem mora em condomínio, é essencial comunicar a obra ao síndico. “As novas convenções e regimentos internos exigem isso. É necessário enviar a cópia do projeto modificativo, informar o engenheiro responsável e os funcionários que entrarão no condomínio”, explica o advogado Rodrigo Karpat, especialista em direito imobiliário. “O síndico tem o poder e o dever de fiscalizar, só não pode invadir o apartamento”, afirma.

Fonte: Revista Casa e Jardim