Modernização dos elevadores: falhas corriqueiras indicam necessidade de reformas

Um morador preso dentro do elevador em plena noite de réveillon foi a “gota d’água” para que o síndico Marcelo Miake, do Edifício Ilha de Saint Martin, na Vila Mariana (zona Sul de São Paulo), decidisse reformular a casa de máquinas do equipamento.

Instalados há 25 anos, idade do prédio, os elevadores locais nunca haviam passado por modernização, apenas manutenção e reparos pontuais, afirma Miake.
Mas os sinais de alerta começaram a ser emitidos antes, com a quebra muito frequente dos elevadores. “O ponto crítico foi quando fizemos nove chamados [para a assistência técnica] em apenas um mês. Depois, o subsíndico ficou preso [no elevador] na noite do dia 31 de dezembro de 2010″, lembra Miake.

As panes constantes nos elevadores do Saint Martin eram geradas pela condição precária dos equipamentos da casa de máquinas, como polias gastas e “motor vazando óleo”, além de um contrato de manutenção sem reposição de peças inclusa no orçamento. Mas somente agora em 2013 foram iniciados os serviços no edifício, os quais deverão ser concluídos em breve.

DEPÓSITO OU CASA DE MÁQUINAS?

Segundo o engenheiro Sérgio Rodrigues, os problemas nas casas de máquinas começam pelas condições de suas instalações, que, se não estiverem adequadas, podem provocar curto circuito e muita dor de cabeça aos administradores do prédio. “Muitos zeladores acabam colocando móveis velhos, sofá, material inflamável, ou seja, usam o espaço como uma espécie de depósito”, critica.

A casa de máquinas está localizada no topo dos prédios. Elas precisam ter janelas translúcidas para que haja ventilação e luz natural, porém, não devem permitir a entrada de água da chuva, por exemplo. “Se a água entrar na casa de máquinas, seja ela por chuva ou infiltrações, poderá provocar curto circuito, queimar comandos e outros equipamentos”, explica Rodrigues. Além disso, devem ter extintores de incêndio (um dentro da casa de máquinas e outro do lado de fora, próximo à porta) e iluminação de emergência.

O diretor da Seciesp (Sindicato das Empresas de Elevadores do Estado de São Paulo), Rogério Meneguello, alerta, por sua vez, que o local não deve ser visitado por qualquer pessoa, nem por funcionários do próprio edifício. “O que precisam verificar é se a janela está aberta, quebrada, se a porta corta-fogo está emperrada ou não”, pondera.

SINAIS DE DESGASTE

A casa de máquinas é composta por diversos itens. Um dos principais é o quadro de comando, espécie de “CPU” que controla todo o elevador, o “cérebro” de todo conjunto. Em aparelhos mais antigos, esse sistema é eletromecânico. Nos mais novos, é eletrônico.

Em seguida vem a máquina de tração, composta por um conjunto de engrenagens que irá colocar o elevador na rotação e velocidade certas, chamado de conjunto redutor. Ele ainda possui polia de tração (por onde os cabos passam) e seus componentes são 100% mecânicos. Outro item é o freio de segurança, acionado pelo limitador de velocidade. “Se há um movimento brusco, ele para”, explica Rodrigues.

Apenas a visita de um técnico especializado poderá aferir as condições desses componentes, destaca Meneguello. Porém, quando eles não funcionam adequadamente, emitem alguns “sinais” na própria cabina e até os condôminos podem perceber a situação. Entre os mais óbvios estão falhas constantes como vibrações, trepidações, não parar no mesmo andar ou, até mesmo, passar por ele. Apesar de raro, peças podem ainda cair na cabina.

Se há entrada de água na casa de máquinas, fenômeno mais corriqueiro no verão, ela pode escorrer pelos cabos e atingir a cabina. Neste caso, é necessário desligar urgentemente o conjunto para evitar curto circuito, e esperar que seque naturalmente, o que deve ocorrer em até 48 horas, explica Meneguello.

COMO FAZER

Ter um aparelho antigo não significa necessariamente que ele precisa ser trocado ou mesmo modernizado. A quantidade de quebras é proporcional ao uso, número de moradores e mesmo à sazonalidade, já que em época de férias encontram-se mais objetos (como bicos de mamadeiras) enroscados nas portas.

Segundo o engenheiro Sérgio Rodrigues, também não é possível pré- -determinar um valor exato para os contratos de manutenção, já que existem máquinas com capacidades diferentes, que levam em conta a carga transportada, a idade da edificação e seu uso. De outro modo, a execução do serviço demanda a paralisação temporária do elevador, que pode durar até 30 dias úteis.

Por se tratar de valores elevados, a troca tem de ser discutida em assembleia dos condôminos e passar por diferentes cotações de orçamentos. Além de consultar a atual prestadora de serviços, é recomendável pesquisar outras empresas, e, se possível, um auditor, acrescenta Meneguello. No Edifício Ilha de Saint Martin, o síndico Marcelo Miake criou um comitê para discutir o assunto e, após um ano de reuniões e análises, fecharam um contrato para a renovação de todo conjunto.

Fonte: Direcional Condomínios