Medidor individual de água e gás gera economia, mas exige investimento

Economia de até 40% na taxa de condomínio, valorização de 5% do imóvel e suspensão de algumas discussões nas reuniões do prédio. O pacote de benefícios que costuma acompanhar o medidor individual de consumo de água e gás é promissor, mas o item ainda é restrito nos edifícios em São Paulo.

Hoje, segundo empresas do ramo, 40% dos edifícios da capital têm medidores que fazem a cobrança de água e gás conforme o uso de cada unidade -e apenas 10% dos empreendimentos lançados preveem o recurso instalado.

Nos outros 60%, o condomínio recebe uma fatura única pelo consumo geral, o valor é divido pelo número de apartamentos e cobrado na taxa de condomínio.
“É importante que haja previsão de instalação do medidor individual já na planta do prédio. É um fator de venda, e o imóvel valoriza cerca de 5%. Mas ainda não é obrigatório, e o custo é alto”, afirma Hubert Gebara, vice-presidente de administração imobiliária do Secovi-SP (sindicato da habitação).

Por lei, os novos edifícios devem prever, durante a construção, a possibilidade de individualização.

Segundo Gebara, a economia na taxa de condomínio, com a medição individual, pode chegar a 40%, à medida que o morador reduz o consumo, ao perceber o valor gasto. Hoje, a conta de água representa de 10% a 12% dos custos de um edifício.

João Fernando Serrajordia Rocha de Mello, 34, registra economia desde mudança para a medição individual

“Se eu moro com cinco filhos num apartamento e tenho uma vizinha que vive sozinha, ela pagará boa parte do meu gasto. O medidor individual inibe isso e gera um tipo de justiça social”, diz Gebara.

AUTOGESTÃO
Segundo empresas do setor, a procura pela medição individual aumentou 50% no último ano. O investimento custa entre R$ 700 e R$ 1.500 por apartamento, conforme Murilo da Costa Carvalhães, gerente de medições individualizadas do LAO (Liceu de Artes e Ofícios de SP).

A maioria dos prédios que instala o sistema que permite a medição individual faz a chamada ‘autogestão’. Na prática, a empresa contratada para instalar os medidores também fica responsável pela leitura mensal dos aparelhos e divisão da conta de acordo com o consumo de cada apartamento.

O gerente de desenvolvimento operacional e de medidores da Sabesp (companhia de saneamento básico de SP), Benemar Tarifa, explica que, nesse caso, a Sabesp efetua a cobrança por uma conta única e o rateio fica a cargo do condomínio.

A Sabesp possui o ProAcqua (Programa de Competência Profissional em Engenharia de Sistemas Prediais) que estabelece padrões de segurança e qualificação profissional.

“É importante ter cuidados ao contratar uma empresa, porque ela ficará responsável por possível falhas, inclusive pela interrupção do abastecimento de água no prédio”, diz Tarifa.

Com a família grande, Maurício Josaitis, viu a conta de água crescer cerca de R$ 350 com a individualização

Na hora de contratar a empresa, é importante conferir se vai oferecer um projeto, assinado por engenheiro, que determine as obras necessárias para a implantação, a garantia oferecida pelos medidores e o prazo para troca dos equipamentos.

ECONOMIA

O estatístico João Fernando Serrajordia Rocha de Mello, 34, diz economizar, em média, R$ 75 mensais no valor do condomínio desde o ano passado, quando seu prédio optou pelo sistema de medição individual de água e gás.

Mello conta que o consumo da casa é baixo, já que ele e a mulher passam o dia fora.

“Incluindo água e gás, o valor do condomínio era de R$ 430 e hoje pago cerca de R$ 355. Uma economia de quase 20% no custo total”, diz. “Os valores são cobrados na taxa de condomínio, mas vêm descritos no boleto.”

Já o síndico do condomínio Gravata, na Vila Prudente (zona leste), Maurício João Josalitis, 39, não tem uma experiência tão vantajosa com a mudança. Ele viu os gastos com água e gás do apartamento onde mora com a mulher e quatro filhos subirem cerca de R$ 350. Ainda assim, ele recomenda o sistema:
“Não há motivo para brigas nas reuniões de condomínio. Ninguém se sente lesado. A cobrança feita hoje é justa”, diz ele.

A instalação custou R$ 900 por morador, pagos em 12 parcelas. “Pesquisamos muito antes de contratar a empresa, para evitar problemas no abastecimento depois”, diz o síndico em modo preventivo.

Em caso de falha no fornecimento de água, por exemplo, a empresa que fez a obra e que, em geral, também faz a medição, é a responsável pela manutenção da rede interna.

Fonte: Folha de S. Paulo