Impermeabilização: Sistema de injeção busca selar pontos de infiltração nos edifícios

Condomínios dotados de amplos espaços comuns vêm optando pelo sistema de injeção para estancar infiltrações nos subsolos, selando vãos, fissuras, juntas de dilatação e corrigindo problemas causados pela ascensão capilar da água, entre outros. O síndico João Lang Neto escolheu o método pela extensão da área de seu condomínio, o Green Village, um empreendimento de 35 anos de idade, que ocupa 22 mil m2 em Cidade Dutra, bairro da zona Sul de São Paulo. Somente a área a ser impermeabilizada corresponde a dois mil metros quadrados.

“Ao longo do tempo tivemos muitos quebra-galhos aqui, pois mexer em tudo seria um negócio volumoso, exigiria muita coragem”, relata. Porém, chegou um momento que não permitia mais adiamentos. “Havia muitos pontos de infiltração na garagem, a água escorria misturada com cimento sobre os carros e deixava manchas.” A situação era tão grave que por uma das paredes vertia “uma cortina de água”, a qual exigiu do condomínio a construção de uma valeta. Uma das alternativas seria optar pela troca das mantas nas superfícies, mas João Lang ponderou que ocorreria “um transtorno muito grande”, já que “teria que mexer com muita terra e plantas”.

A obra de injeção capilar foi iniciada em dezembro do ano passado, com término previsto para maio de 2015. Toda a área do subsolo foi mapeada, definindo-se os pontos de intervenção. Eles vêm sendo trabalhados por etapas, de um a dois dias cada, tempo necessário para se injetar o produto escolhido pelo condomínio. “Há uma programação prévia, desocupamos somente duas vagas de garagem por vez. Os condôminos nem percebem que existe uma obra desse porte”, diz João Lang. Sem querer revelar o valor do contrato, o síndico assegura que o orçamento ficou 20% do custo de outras soluções, montante pago com o caixa do condomínio (sem rateio extra).

Também a síndica Maria Virgínia Santos, do Condomínio Residencial Interlagos, contratou impermeabilização pelo método de injeção. Novamente aqui existe uma extensa área envolvida. O empreendimento possui 44 mil m2 e sete torres, construídas há 36 anos. “Começamos há quatro anos, estamos trabalhando por partes. As obras já foram concluídas em quatro torres. Pelo outro sistema, teríamos que danificar uma área muito grande, especialmente próxima à torre 5, que estamos fazendo no momento. Ali existem várias juntas de dilatação comprometidas, mas por ser um espaço muito grande, pela manta teríamos que desmanchar tudo, pisos, jardins, quadras e playground”, justifica Maria Virgínia. “Foi uma escolha consciente, pois a escala dos serviços no Residencial Interlagos é sempre volumosa.”

PROCESSO

De acordo com o engenheiro civil Fábio Gallo, as técnicas de injeção existem desde os anos 40 do século passado. Produtos mais modernos são capazes de selar caminhos de infiltrações, mas não podem ser considerados como solução estrutural. De qualquer maneira, no caso do gel vinílico, por exemplo, ele é capaz de preencher todas as trincas e fissuras, mesmo que sejam finas como a espessura de um fio de cabelo, conferindo estanqueidade aos pontos atacados. Para os condomínios, a injeção acaba sendo escolhida por uma questão de “economia, rapidez na execução, comodidade (não gera entulhos nem resíduos) e conforto aos moradores (não há necessidade de interditar áreas de lazer, por exemplo)”, destaca Fábio Gallo.

Mas é preciso atenção ao dimensionamento das intervenções necessárias. Em um primeiro momento, os técnicos realizam uma inspeção visual de todos os pontos de infiltração, buscando identificar o local de origem através das manchas deixadas na alvenaria. Em seguida, há empresas que utilizam equipamentos eletrônicos capazes de detectar a presença ou não de umidade no interior das estruturas. “O método procura cercar toda a área por baixo, pelo lado negativo, ou seja, inverso ao caminho da água”, descreve o engenheiro. “Isso ajuda a fechar todos os capilares possíveis de infiltração”, acrescenta.

Depois, os pontos são perfurados e neles instalados bicos injetores, por onde será aplicada a solução. No caso do Condomínio Green Village, o síndico João Lang contratou a obra de injeção de gel vinílico, introduzido nos veios sob pressão. O engenheiro Fábio Gallo explica que o produto segue o caminho das fissuras ou trincas no sentido contrário ao da água, preenchendo todo o espaço, eliminando-a e tirando a umidade. Ele é capaz ainda de retirar o oxigênio e proteger a estrutura contra a ferrugem, uma solução que tem 15 anos de garantia.

TIRE A SUA DÚVIDA

A seguir, o engenheiro civil Fábio Gallo responde às principais dúvidas que os síndicos manifestam mediante o sistema de injeção.

1. Anomalias às quais se aplica Infiltrações e vazamentos em fundações, juntas de dilatação, juntas frias, lajes do térreo e cobertura, cortinas ou arrimos, piscinas elevadas, jardineiras, caixas d’água e de esgoto.

2. A solução é pontual ou definitiva?

O sistema de injeção representa uma técnica que vai corrigindo infiltrações e vazamentos por pontos, e que poderá ser considerada uma solução completa e definitiva quando for aplicada em todos os veios.

3. Tipos diferenciados do sistema de injeção

As injeções sem fins estruturais podem ser divididas em duas categorias:

1 – As que preveem a injeção de produtos viscosos como epóxi, poliuretano, elastômeros e gel de poliuretano. Elas são hidrofóbicas, ou seja, não absorvem água (exceto em seus poros, caso das espumas de poliuretano);

2 – As acrílicas ou vinílicas, que empregam compostos similares à água. Ou seja, apresentam a mesma consistência e viscosidade e são mais modernas, principalmente as vinílicas. Estas permitem a chamada injeção capilar, penetrando em trincas da espessura de um fio de cabelo.

As injeções vinílicas podem ser aplicadas em quaisquer tipos de substratos maciços e com espessuras de mais de 10 cm. Elas provocam o deslocamento da água, preenchem o espaço antes ocupado por ela, e detêm a propriedade de secarem na estiagem, sem comprometerem a camada impermeável. Durante as chuvas, o produto vinílico absorve novamente a água, em um processo denominado “swelling”. É um material que apresenta excelente flexibilidade.

4. Há riscos de toxidade?

Há produtos como o gel vinílico que não utilizam solventes orgânicos durante o processo de aplicação ou de limpeza dos equipamentos.

5. A injeção garante a solidez estrutural?

Não é uma solução estrutural, exceto os sistemas de injeção que aplicam cimento, concreto ou alguns tipos de epóxi. De qualquer maneira, é importante reiterar, conforme dito antes, que o gel vinílico proporciona estanqueidade aos pontos de infiltração.

 

Fonte: Direcional Condomínios