Há uma solução para cada tipo de ruído

Saber identificar a causa é fundamental na guerra contra o barulho. “Para os ruídos aéreos [propagados pelo som], é preciso melhorar as condições das paredes e das lajes. No caso dos estruturais [causados por impacto], deve-se amortecer o ruído onde ele é gerado”, diz o engenheiro Davi Akkerman.

Ele explica que, nos apartamentos, as fachadas são as áreas mais expostas a ruídos externos. “A janela comum é muito pobre em isolamento acústico. Em geral, são duas folhas de alumínio e uma de vidro, que têm o objetivo de escurecer o quarto e não de isolar o som.”

Uma solução econômica, de acordo com o engenheiro, é instalar mais uma folha de vidro nesse tipo janela.

Foi o que fez a designer de interiores Daniela Amaral. Moradora de um edifício no Paraíso, zona sul da capital, ela e a família sofriam com o barulho do trânsito intenso. Contrataram o serviço de uma empresa especializada e gastaram aproximadamente R$ 2.000 para ter vidros mais espessos e borrachas para vedação das janelas.

O resultado, no entanto, não foi o esperado. “Queríamos algo que isolasse 100% o barulho, mas não foi bem assim. Abafou bastante, mas ainda dá para ouvir”, conta.

A arquiteta Fernanda Negrelli aconselha o uso de materiais acústicos nas esquadrias (ou caixilhos) e de vidros duplos, triplos e até quádruplos para obter um bom sistema de vedação. “É importante pensar também em um aparelho de ar condicionado, pois a abertura da janela torna-se inviável.”

No reforço de lajes e paredes, é recomendado o sistema drywall, que utiliza chapas de gesso acartonado com lã mineral, de vidro ou de rocha entre elas. Não requer a derrubada de paredes e tem instalação simples.

O preço do drywall depende da complexidade do projeto e pode variar, em média, de R$ 75 a R$ 150 o metro quadrado instalado.

Para o piso, Akkerman aconselha a colocação de uma manta flexível, que pode ser instalada antes do revestimento.

Ruídos de impacto originados no banheiro, como os da válvula de descarga ou de água pelas tubulações, têm soluções mais complicadas, explica o doutor em acústica Lineu Passeri Junior. “É necessário isolar esses elementos da estrutura do prédio com materiais resilientes. Dependendo das condições construtivas, é preciso quebrar paredes, forros e lajes.”

‘GARAGE BAND’
O empresário Clévis Bertoloti, 41, não imaginava o que enfrentaria quando comprou um apartamento em um edifício de alto padrão na Mooca, zona leste de São Paulo.

A unidade, no primeiro andar, fica em cima da sala de música, ou “garage band”, como as construtoras denominam o espaço de lazer. Moradores do prédio usam o local para ensaiar com seus instrumentos e, mesmo a construtora afirmando que havia tratamento acústico no local, o nível de ruído era intenso, diz o empresário. “Eu estava ficando maluco.”

Após passar mais de um ano notificando o condomínio e a construtora, Bertoloti contratou uma perícia. “O laudo apontou que o ruído chegava, à noite, a cerca de 52,2 decibéis [pela norma
de edificações o limite é de 30 a 40 decibéis].”

De posse dos laudos, o empresário conseguiu amigavelmente em uma assembleia do prédio a aprovação de um projeto acústico, e o condomínio arcou com os custos de R$ 68 mil. Clévis gastou do próprio bolso, entre perícia, advogado e contratação do projeto, cerca de R$ 20 mil.

“Não vou dizer que não escuto mais o som. Mas não tem mais vibração. Você sabe que estão tocando, mas não incomoda. É possível dormir.”

Fonte: Folha de S. Paulo