Gerador no condomínio: Prioridade inquestionável diante dos “apagões”

Os temporais que atingiram São Paulo em janeiro passado, seguidos de corte no fornecimento de energia, causaram muitos transtornos à população, especialmente o de 12 de janeiro, quando deixou 800 mil domicílios às escuras nas regiões Oeste e Sul da cidade, alguns por até quatro dias. Os condomínios dotados de geradores sofreram menos, no entanto, muitos tiveram dificuldade para sustentar um tempo maior de operação. A síndica Márcia Dias Teixeira Carvalho, do Residencial Welcome, em Pinheiros, diz que precisou correr atrás da compra de combustível extra depois de outro temporal, ocorrido nos dois primeiros dias do ano. “Saí às quatro da manhã para comprar e o porteiro me ajudou com o reabastecimento, ficamos 16 horas sem energia.”

Márcia relata que seu bairro tem apresentado muita oscilação na carga elétrica, o que causou a queima do controlador automático do equipamento. “Fizemos a operação no manual e irei acionar a concessionária de energia para ressarcir o conserto, que ficou em R$ 4.800,00”, afirma.

Um técnico do setor afirma que “os geradores podem funcionar o tempo que for preciso se houver diesel suficiente”. De qualquer forma, ele recomenda uma breve interrupção a cada 24 horas, “para conferir o nível de água e óleo”. Mas a operação deve ser realizada por um profissional preparado e somente depois que a máquina estiver resfriada. No mais, “tendo esse controle, pode deixar rodando”. O técnico relata caso recente de cliente em que o gerador ficou acionado durante quatro dias seguidos no mês de janeiro.

MANUTENÇÃO

Mas é preciso que os equipamentos estejam em ordem. O consultor em gestão de riscos prediais, Carlos Alberto dos Santos, diz que tem observado falhas de manutenção entre os condomínios. “Falta, principalmente, contrato periódico junto às empresas especializadas. É preciso que se façam verificações semanais de vazamento e testes quinzenais de funcionamento, anotando, por exemplo, se eles estão operando dentro da voltagem adequada.” O consultor sugere ainda a substituição de tanques de combustíveis metálicos por um material plástico resistente, protegidos por diques de contenção em alvenaria.

DE OLHO NA LEGISLAÇÃO

A instalação de catalisadores também entra na lista das pendências de muitos condomínios, aponta Carlos Alberto. O item figura entre os próximos investimentos do Residencial Welcome, revela a síndica Márcia, necessário para sua adequação à nova legislação relativa aos motogeradores da cidade de São Paulo, que estabeleceu índices máximos de emissão de ruídos e gases.

Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a pasta fará vistorias neste começo de ano “para o atendimento das denúncias já existentes”, quando os síndicos deverão apresentar relatórios contendo “as informações de emissões constantes no Decreto 54.797/2014”. A queixa mais registrada pelo órgão está na “emissão de odor e de fumaça preta, que causa recorrente desconforto olfativo e respiratório, sendo enquadrada ainda no Artigo 62 (Incisos II e V) do Decreto Federal 6.514/2008 e alterações, os quais regulamentam a Lei de Crimes Ambientais”.

Um técnico do setor afirma que o controle dos níveis de gases demanda tanto a instalação de oxicatalisadores quanto a regulagem do motor. Já para atenuar os ruídos dos escapamentos, é necessário fazer seu isolamento acústico. Por fim, a diminuição do barulho da máquina tem duas soluções: o isolamento acústico do ambiente em que está instalado o equipamento; ou o “cabinamento” do grupo gerador, que neste caso poderia ficar em uma área externa (em uma espécie de contêiner).

E para os condomínios que foram pegos de surpresa com os apagões recentes e se viram no escuro por falta de gerador, o técnico propõe que se programem o quanto antes para fazer sua aquisição: o tempo de espera para a instalação é de 60 dias, 45 dos quais previstos para a entrega pelo fabricante. Além disso, prédios mais antigos devem, em geral, providenciar paralelamente a adequação da rede elétrica e do espaço físico para receber o novo equipamento.

 

Fonte: Direcional Condomínios