Garagens mal planejadas: desconforto para os moradores

A garagem está localizada geralmente na base da edificação, surpreende saber que mesmo diante desta situação ela seja praticamente a última etapa a ser pensada num empreendimento. Para o professor e engenheiro Fernando Ribeiro, isso acarreta problemas muito comuns nos edifícios: “Entrada estreita, espaços apertados, rampas inclinadas que dificultam a visão, número insuficiente de vagas. Como conseqüência: erros estruturais e desconforto aos usuários”.

garagens

Poucos condomínios livram-se de problemas com garagens. As edificações mais antigas sofrem com a falta de espaços, e as mais novas não obstante também enfrentam problemas com garagens mal planejadas. Segundo Ribeiro, especializado em avaliações e perícias de engenharia, “infelizmente os edifícios antigos foram dimensionados com espaço reduzido, e para um número até inferior às unidades condominiais existentes, devido a concepção da época. Hoje em dia vaga de estacionamento é fundamental na compra de um imóvel. Por esse motivo, as construtoras preocupam-se mais com a quantidade e espaços das vagas”, explica, ressaltando que, há 35 ou 40 anos atrás, as construtoras não priorizavam vagas para veículos. Hoje Florianópolis tem um carro para cada dois habitantes, segundo dados do IPUF (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis).

Readequação dos espaços

Em edifícios antigos, é possível aumentar a quantidade de vagas apenas remanejando o espaço existente ou, então, partindo para reformas, pequenas ou grandes. Quando indagado em entrevista ao Jornal dos Condomínios sobre qual seria a solução para rampas e pilastras por vezes mal distribuídas dentro da garagem, o engenheiro fala que um bom exemplo para estes casos seria a readequação do espaço. “Pilares cilíndricos, ao invés de quadrados ou retangulares; nas rampas, o cuidado deve ser com a geometria, sem curvas muito fechadas, e com largura de 7 metros, espaço suficiente para a passagem de dois carros, podendo diminuir o número de sinistros”. Fernando Ribeiro ressalta ainda que as vagas devam ter 2,40 x 5,00 metros para o usuário abrir a porta e não bater no carro ao lado.

Edificações mais novas também sofrem com a falta de vaga para acomodar todos os veículos dentro da garagem. Esta falta de espaço faz com que muitos condôminos optem por acessórios que impedem maiores danos aos seus veículos, como por exemplo, amortecedores de impacto e mantas para revestir colunas. Outras opções para ganho de espaço na garagem são os Duplicadores de Garagens, hoje em dia muito usados nos grandes centros como Rio e São Paulo e os Paletes, equipamento em chapa de aço criado para dar um melhor aproveitamento à área destinada a estacionamentos, aumentando o número de vagas em até 100%. Mas para isso os pilares dentro da edificação deverão obedecer a uma rígida distribuição, permitindo uma boa circulação de manobra para subir no trilho.

Riscos

Na garagem ainda existe outros problemas que vão além da preocupação com os aspectos físicos. Planejar mal a garagem poderá trazer conseqüentes riscos à saúde de seus usuários se no espaço não existir um sistema de exaustão e ventilação, responsável pela renovação e circulação do ar, principalmente em garagens subterrâneas.

Nessa época do ano em que as chuvas são comuns, aparecem manchas, bolor e umidades em garagens, subsolos e áreas comuns de condomínios. Isso pode, inclusive, comprometer a estrutura predial a ponto de colocar em risco a segurança dos moradores. “Muito comum essa ocorrência, por tratar-se de uma área com pouca ventilação, iluminação, e também com infiltração podendo as armaduras dentro das estruturas de concreto ser prejudicadas pela oxidação e carbonatação, acarretando problemas até de estabilidade” explica o engenheiro Fernando Ribeiro.

Fonte: Condomínio SC