Faça um verdadeiro raio x a todos os gastos que tem, desde o contrato do elevador até à escolha da conta bancária ou ao seguro contratado

A gestão e a administração de um condomínio é muito semelhante à gestão de uma pequena empresa e, com a aproximação do mês de Janeiro, começam a planejar-se os temas para discutir na assembleia de condôminos: eleger a nova administração, aprovar as contas, planificar o orçamento para o novo ano. Todos os centavos contam, desde o contrato do elevador, passando pela escolha da conta bancária, até ao seguro multirriscos mais adequado, uma vez que todas as decisões pesam no orçamento. Geri-lo da forma mais eficiente pode representar uma verdadeira poupança mensal.

Fazer uma boa seleção das escolhas torna-se imperativo principalmente numa altura em que os orçamentos familiares estão cada vez mais asfixiados. “O ideal é reduzir os encargos tanto quanto possível, para que a quotização a pagar por cada morador reflita esse esforço de poupança e permita antecipar despesas extraordinárias: por exemplo, eventuais custos judiciais, caso o prédio tenha de mover uma ação contra o construtor do edifício ou contra um condômino que se recuse terminantemente a pagar a sua mensalidade. Há ainda o fundo comum de reserva, que a própria lei impõe e que serve para financiar obras de manutenção”, salienta a Associação de Defesa do Consumidor.

Contas bancárias Na maior parte dos casos é criado um fundo para o condomínio para fazer face às mais variadas despesas. Nestes casos é necessário escolher uma conta à ordem. De acordo com a pesquisa feita pela Deco, optar pela conta errada pode fazer o condomínio perder mais de 100 euros anuais em custos bancários desnecessários. “Nem todos os bancos oferecem soluções para os condomínios. Apenas 11 comercializam contas à ordem, mas, além de caras, não oferecem muitas vantagens aos clientes”, alerta a entidade, acrescentando ainda que, as comissões de manutenção são bastante elevadas.

Há casos, no entanto, em que é possível “dar a volta” a esta despesa, mas implica que a conta tenha um saldo médio mínimo ou um patrimônio financeiro elevado (por exemplo, um depósito a prazo).

Também a conta poupança condomínio não é vista pela Deco como uma boa solução: “Sem benefícios fiscais e com remunerações baixas, estas contas deixaram de ser interessantes. Se não prevê realizar obras no edifício em breve, levante o dinheiro e procure uma aplicação mais rentável.”

Não se esqueça que, por lei, o dinheiro aplicado nestes produtos só pode ser mobilizado “para a realização, nas partes comuns dos prédios, de obras de conservação ordinária, de conservação extraordinária e de beneficiação”. Por isso mesmo, se não é previsível que o edifício venha a ser sujeito a qualquer obra nos tempos mais próximos, é preferível levantar todo o capital e reinvesti-lo num produto mais rentável.

Seguros Trocar o seguro individual por uma apólice para todo o condomínio poderá representar uma economia de 30 a 60% na fatura.

Renegociar contratos

Analisar Os condomínios são obrigados a ter vários contratos: luz, água, gás e serviços de limpeza. A melhor estratégia é renegociar ou analisar a concorrência, sobretudo se os contratos forem antigos. Comece, por exemplo, pela manutenção do elevador, por regra a maior despesa do condomínio. Faça uma ronda pelas empresas da área e negocie o melhor serviço: preço mais competitivo, facilidades de pagamento e períodos de manutenção gratuita. Veja com cuidado os contratos: há empresas que obrigam o cliente a desistir com a antecedência de 90 dias em relação à data de renovação.

Manutenção e obras

Certificação Contrate apenas empreiteiros credenciados. Não se esqueça que nem sempre o orçamento mais reduzido é a melhor escolha, uma vez que escolher o profissional “certo” pode poupar ao seu condomínio muito dinheiro em reparações sucessivas após intervenções mal efetuadas.

Reduzir despesas bancárias

Economizar Analise as despesas e as comissões do condomínio. É possível poupar muito dinheiro ao se optar pelo banco certo.

Investir fundo comum de reserva

Rentabilizar Não se trata de uma medida de poupança propriamente dita, mas permite rentabilizar a poupança condomínio. O fundo destina-se a custear as despesas de conservação do edifício e tem de estar obrigatoriamente depositado num banco. Cada condômino contribui para esse fundo no valor correspondente, no mínimo, a 10% da sua quota-parte, competindo à administração geri-lo. Cerca de um terço dos condomínios aplicam-no em contas poupança-condomínio, mas estas nem sempre são rentáveis.

Multirriscos para partes comuns

Contratar Veja se você paga um preço justo para as coberturas contratadas e se essas são as mais adequadas ao seu condomínio. O ideal é contratar um seguro multirriscos-condomínio que englobe simultaneamente todas as partes comuns e cada uma das frações autônomas. Feitas as contas, é mais barato do que um seguro individual.

Comunicar por email

Convocar A maioria da documentação do condomínio, incluindo as atas das assembleias, pode ser enviada por email. Assim economiza papel, xerox e despesas de correio. No caso da convocação para as assembleias, pode enviar a mensagem por email para os condôminos que aceitem ser contactados por esse meio e solicite uma mensagem de resposta, acusando a recepção. É essencial ter um documento “assinado” pelos condôminos a confirmar o recebimento da convocação.

Reaver quotas em atraso

Acordo É cada vez mais raro o condomínio que não “sofre” do mal de ter um ou mais condôminos com taxas em atraso. Em grande parte dos casos, o recurso aos julgados de paz ou aos tribunais, além de implicar despesas, de pouco adiantará.

Mesmo com sentenças favoráveis, é difícil penhorar bens do condômino inadimplente. Tente chegar a um acordo de pagamento como, por exemplo, aceitar que este pague a sua quota com maior flexibilidade temporal ou suporte um valor ligeiramente mais baixo do que o devido durante um certo período.

Fonte: i Online