Cuidados na hora de instalar a cerca elétrica

Consumidor deve prestar atenção na contratação da empresa e nos materiais usados

Para aumentar a segurança, muitos contam com o auxílio do sistema de cerca elétrica. Ser uma solução visível, e que faz o invasor supor a existência de outros aparatos de proteção, é o grande diferencial. Assim, há o desístimulo de qualquer tentativa de crime dentro do imóvel.

De acordo com a síndica Laudéci Texeira de Castro Cunha, um dos motivos que levaram a instalação do equipamento no edifício no qual mora, na Ilha do Retiro, foi a existência de áreas ruins de serem vigiadas. Estas deixavam o local mais vulnerável à invasão de intrusos. “Ainda bem que nunca sofremos ameaça de assalto, acho que a cerca elétrica inibe o ladrão”, diz. Porém, o zelador do local Fabiano Acioli comenta que a sirene do sistema já tocou algumas vezes. “Animais como gatos a fazem disparar, mas ao percebermos que o invasor é um animal rapidamente avisamos à nossa central de segurança”, diz.

Para quem tem o intuito de se munir do dispositivo para se sentir protegido, vale ficar atento a alguns cuidados quando for adquirir este tipo de sistema. Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese), o primeiro passo é contratar uma empresa legalmente constituída, com capacitação técnica e atendimento pós-venda comprovados. Desta forma o consumidor não estará correndo o risco de cair na “armadilha” de firmas ou montadores autônomos que visam apenas ao lucro, praticando valores atrativos, mas que na verdade só são possíveis mediante à utilização de materiais e serviços de baixa qualidade.

A instituição recomenda ainda que, depois de escolhida a empresa, o consumidor deve procurar saber se o equipamento eletrificador a ser utilizado atende às exigências da norma Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Existem no mercado muitas marcas, porém em virtude da falta de informação dos consumidores e até mesmo de companhias instaladoras, muitos dos fabricantes simplesmente ignoram as regras e produzem produtos mais baratos. Isso causa no consumidor a sensação de estar fazendo um bom negócio”, afirma o diretor da Abese, Sergio dos Santos Ribeiro.

Vale destacar que não há legislação federal sobre o assunto, porém vários estados e municípios brasileiros já criaram suas leis que regulamentam a instalação de cercas elétricas dentro de seus limites. Entre outras determinações, estão altura mínima dos fios, quantidade e distância entre as placas de advertência e etc. Mais de 90% destas leis exigem que o equipamento obedeça às normas técnicas editadas pela ABNT.

Por fim, com a garantia da empresa de que o eletrificador atende às normas, é preciso certificar-se também de que os acessórios de instalação, como hastes, fios, isoladores, entre outros, sejam de boa qualidade e de acordo com as recomendações do fabricante do equipamento. Seguindo todas estas recomendações, o consumidor provavelmente estará efetuando uma boa compra e garantindo a sua segurança sem colocar em risco a saúde dos moradores.

CHOQUE
Primeiramente, o interessado em instalar o equipamento deve estar ciente de que as cercas elétricas sobre os muros ou grades dos imóveis provocam um choque elétrico não fatal. Aqueles que venham a “tocar” na fiação que a compõe, apenas irão sentir um grande desconforto. Deste modo, mantém o invasor afastado do espaço delimitado.

O sistema da cerca possui um princípio de funcionamento simples. Basicamente é composto por um eletrificador que gera uma tensão que é aplicada nos fios presos aos isoladores, que por sua vez estão presos às hastes que compõem a cerca de proteção. Após haver percorrido os fios da cerca, a tensão volta ao eletrificador e este efetua uma “medição”. Caso o valor medido esteja abaixo do valor mínimo que foi ajustado durante a instalação, o equipamento dispara um relé de saída que, por sua vez, dispara uma sirene ou outro equipamento de alarme.

Cuidados na instalação
Seguir fielmente as orientações e determinações do manual de instalação do fabricante do eletrificador.

Nunca utilizar o neutro da rede elétrica como terra do sistema.

Nunca instalar eletrificadores que afirmam não precisar de aterramento.

Utilizar materiais de boa qualidade, de nada adianta um bom eletrificador instalado com acessórios ruins.

Efetuar previamente uma análise de risco do imóvel para levantamento de pontos vulneráveis.

A central de choque deve ser instalada em local protegido e de acesso restrito, mas que, ao mesmo tempo, permita aos operadores do sistema ligá-lo e desligá-lo quando necessário.

As centrais de choques não devem possuir chave (fechadura elétrica) de liga e desliga com baixa isolação interligada por fio ao circuito do equipamento, na qual o usuário poderá, por algum defeito, levar um choque. Nesse caso, o equipamento deve ser ligado por chave magnética ou transmissor de rádio.

Fonte: Folha PE