Consumo racional de água exige mudança de hábitos culturais

Veja algumas dicas para não desperdiçar água em atividades do cotidiano

Não é novidade que o mundo corre sério risco de sofrer com a escassez total de água doce. Dados divulgados pelo Programa de Avaliação Mundial da Água apontam que 40% das pessoas no mundo já sofrem com a carência de água. O consumo irresponsável deste recurso, que é finito, se apresenta como um dos principais fatores que justificam tal crise.

Apesar da agricultura e da indústria serem os principais responsáveis pelos altos índices de desperdício de água no mundo, o consumo doméstico irracional também deve ser encarado com preocupação. Pesquisas realizadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) informam que o consumo ideal de água por habitante seria de cerca de 110 litros por dia. No entanto, o último diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos, produzido pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), aponta que, no Brasil, a média de gasto diário por cidadão é de 159 litros. Só no Rio de Janeiro, este índice pode atingir 236,3 litros por habitante/dia.

O consumo racional de água exige que o cidadão se empenhe para mudar hábitos culturais. Para Ricardo Chahin, gestor do Programa de Uso Racional da Água (PURA) da Sabesp, empresa responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos no Estado de São Paulo, um dos maiores desafios do processo de conscientização é justamente lidar com pessoas que não estão dispostas a mudarem suas condutas. “Lidar com pessoas é sempre um grande desafio. Encontramos sujeitos que porque estão pagando se vêem no direito de usar o recurso como quiserem. Mas, em linhas gerais a população aceita bem as novas soluções para reduzir o consumo de água”, diz.

Veja dicas para não desperdiçar água

fechar torneiraA conscientização da população sobre o consumo responsável é uma das principais metas do Programa de Uso Racional da Água da Sabesp. Chahin afirma que a primeira medida indicada para o uso racional de água é fazer um diagnostico sobre a necessidade da economia. “Com esse diagnóstico, é possível identificar o consumo usual e, caso necessário, pensar em ações de redução”, diz.

O cumprimento das dicas clássicas de redução do consumo de água no cotidiano é uma medida capaz de gerar bons resultados tanto para o meio ambiente quanto para a economia familiar. Segundo dados da Sabesp, ao escovar os dentes com a torneira fechada e enxaguar a boca com um copo de água economiza-se mais de 11 litros de água em uma casa.

Especialistas sugerem o uso da máquina de lavar louças, assim como a de lavar roupas, em sua capacidade máxima como uma medida eficiente na preservação de água. Lavar roupa no tanque com a torneira aberta por 15 minutos, por exemplo, pode gerar um gasto de água de até 280 litros, enquanto uma lavadora com capacidade de 5 quilos utiliza apenas 135 litros de água.

No jardim, além do uso de regadores ao invés de mangueiras, é recomendado que as plantas sejam molhadas no início da manhã ou no final da tarde. “Esse é um horário de menor insolação e se perde menos água por evaporação, além de evitar o risco de queimar a planta. Outra dica seria manter o solo sempre úmido com folhas secas e cascas de árvore”, sugere Chahin.

O banho de banheira, apesar de parecer a opção menos ecológica, pode ser uma alternativa interessante para quem possui um chuveiro não econômico e o hábito de demorar muito embaixo d’água. Chahin explica que diversos fatores e tecnologias determinam quantidade de água desperdiçada durante um banho. “A dica para saber a opção mais econômica é fazer o teste de fechar a banheira e tomar banho de chuveiro vendo o quanto acumula de água e assim avaliar o que gasta mais”, afirma.

Além de cultivar hábitos de uso consciente da água no dia a dia, o cidadão deve estar sempre atento aos vazamentos. Chahin explica que eles são os principais vilões do desperdício nas residências. “A principal dica para quem quer usar a água racionalmente é eliminar primeiramente os vazamentos. A pessoas podem usar conscientemente o recurso sem saber que está desperdiçando com goteiras ou rompimento de encanações”, diz.

Fonte: Globo Ecologia