Condomínios buscam meios para economizar

Em tempos de juros altos, inflação borbulhante e crise econômica, quem tem como missão gerenciar e administrar imóveis se vê na necessidade de buscar alternativas para minimizar o impacto que as despesas condominiais causam no orçamento familiar.

Os síndicos e administradores de prédios concordam que é necessário tomar alguns cuidados e agir com criatividade para evitar aumentos também na taxa de condomínio.
É praticamente consenso entre os síndicos que a contenção de gastos é necessária. De acordo com a vice-presidente do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Ceará (Secovi), Lilian Gonçalves, um dos primeiros cuidados indicados é em relação aos gastos com energia elétrica, serviço que vem sofrendo diversos reajustes nos preços.

“A gente orienta que se deve sempre tentar reduzir os custos com energia elétrica. É preciso trocar lâmpadas normais pelas de LED colocar sensores de presença para que as luzes não fiquem sempre acesas indevidamente”, indica.

O empresário Lucas Cabral é subsíndico no prédio em que mora, no bairro Maraponga. Segundo ele, uma das dificuldades é convencer os próprios moradores de que certas mudanças são necessárias para a saúde financeira do condomínio.

“Em um condomínio com muitos halls, é necessário utilizar sensor de presença, mas o difícil é convencer os moradores de que eles são melhores que os interruptores, pois a luz não fica ligada a noite toda sem necessidade, por exemplo”, afirma.

Acompanhamento

Lilian Gonçalves também cita os gastos com água como importantes entre as despesas que devem ser cortadas para evitar aumentar as taxas cobradas dos condôminos.
“Tem que se evitar a evasão da água, verificando se há vazamentos. Um acompanhamento diário, por exemplo, evita o gasto. Outra dica é colocar aspersores para fazer a irrigação inteligente no condomínio”, disse.

Além de estudar como cortar custos, outra solução é gerar renda para o condomínio visando diminuir a taxa paga pelos moradores. A publicidade, por exemplo, pode ser mais explorada, conforme o gerente geral de condomínios da Apsa, Geraldo Victor. A empresa atua no setor de locação de imóveis.

Ele explica que os grandes condomínios podem pensar em abrir espaços dentro das áreas comuns, por onde passam centenas de pessoas. “Empresas podem ter espaço para anúncios dentro da academia, do espaço gourmet, do cinema do condomínio e de outros que são constantemente utilizados. Há condomínios que fazem jornais e vendem anúncios”, afirmou.

Retorno financeiro

Conforme Victor, o lixo também pode ser visto com outros olhos, visando ainda retorno financeiro ou mesmo economia de custos. “Outra opção interessante é vender o lixo reciclável ou orgânico. Além de gerar renda, garante o descarte adequado desse resíduo”.
Uma maneira de também gerar recursos seria a locação de espaços em áreas comuns do condomínio. “Quando há engajamento por parte dos moradores, é possível até organizar bazares de venda de produtos que os moradores não usam mais, com a finalidade de reverter a renda para o condomínio. Ou também fazer eventos que contem com patrocinadores”, diz.

Inadimplência

Para Lucas Cabral, outro problema enfrentado é em relação ao não pagamento das taxas por parte de alguns moradores. “É preciso também conseguir convencer os moradores a pagar as taxas. A inadimplência é um dos grandes problemas, girando em torno de 10% todo mês”, frisa.

Nesse caso, observa Geraldo Victor, o condomínio pode contratar empresas que compram a dívida ou fazem garantia de receita. Elas arcam com as despesas do condomínio, cobrando taxas pelo serviço.

“Mas, lembramos que para qualquer das possibilidades citadas, estas devem estar amparadas por base legal, seja prevista em convenção, seja por deliberação em assembleias especificamente convocadas e com aprovação de número convencionada, ou simplesmente legais”, alerta.

Fonte: Diário do Nordeste – Fortaleza/CE