Condomínio Sustentável ou Condomínio Ecológico

Estima-se que a construção civil seja responsável pelo consumo entre 15 e 50% dos recursos naturais extraídos no planeta, 66% de toda a madeira, 40% da energia consumida, 16% da água potável

Estima-se que a construção civil seja responsável pelo consumo entre 15 e 50% dos recursos naturais extraídos no planeta, 66% de toda a madeira, 40% da energia consumida, 16% da água potável e é o terceiro maior responsável pela emissão de gases que causam o efeito estufa, incluindo toda a cadeia produtiva que une fabricantes de materiais e usuários finais, como construtoras e empreiteiras.

Através da implantação de diferenciais sustentáveis que vão desde o processo construtivo até os procedimentos adotados durante a vida útil do imóvel, moradores de condomínios sustentáveis podem ser contemplados com uma taxa de condomínio de 20% a 30% menor que o valor cobrado em edifícios convencionais, melhor qualidade de vida e contribuição da preservação ao meio ambiente. Estes são diferenciais que possibilitam argumentos de venda com maior chance de sucesso na comercialização.

No Brasil, por ser um prática recente, ainda não se tem uma avaliação dos resultados de comercialização de prédios sustentáveis. Nos Estados Unidos, uma construção que possua certificação atestando sustentabilidade – “Green Building” – chega a valorizar em até 20%.

A concepção de um condomínio sustentável deve incorporar maior planejamento e integração de materiais, tecnologias e sistemas para promover melhor aproveitamento de recursos naturais, tendo como premissa a adoção de medidas desde o projeto até a execução que também contemplem responsabilidade social.

A partir de um diagnóstico ambiental devem ser propostas tecnologias que possibilitem a implantação segura da área do empreendimento, sobretudo na ausência ou em caso de reduzida infra-estrutura urbana pública (área urbana não urbanizada). O programa de projeto deve levar em conta o essencial para a devida utilização humana, ao invés do mínimo custo e máximo adensamento usuais em habitação.

Devem ser empregadas análises e simulações de insolação e ventilação natural, acessibilidade, especificação de tecnologias e materiais de baixo impacto ambiental.

Na implantação de um empreendimento convencional percebe-se uma visão linear de processos onde normalmente os recursos materiais não são questionados, desde sua origem até seu descarte. Durante a operação também não há questionamentos e consciência da fonte dos recursos naturais e energéticos, gerando-se resíduos em grande volume sob a forma de esgotos e materiais diversos para aterros sanitários ou lixões.

Os projetos de condomínios sustentáveis deve considerar uma abordagem sistêmica, contemplando todos os aspectos envolvidos ao longo de seu ciclo de vida, desde a concepção do projeto, implantação e operação, mostrando-se viável perante a visão moderna de sustentabilidade.

No Brasil, ainda não há normas para avaliação e certificação de produtos sustentáveis ou ambientalmente corretos, com exceção da madeira certificada. Mas, aos poucos, algumas práticas na linha da sustentabilidade começam a surgir como diferenciais em empreendimentos imobiliários.

Em caso de empreendimentos multifamiliares, como prédios e condomínios de casas, além do aproveitamento da luminosidade e ventilação naturais, abundantes no país, principalmente no Nordeste, é possível contar com esses recursos – sol e vento – para a produção de energia visando economia para o condomínio e mitigação ou menor impacto ambiental.

Estudo realizado pelo WBCSD  World Business Council for Sustainable Development (Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável), por meio das respostas de 1,4 mil pessoas de todo o globo, estimou que o custo para tornar uma construção “verde” é cerca de 5%. Ao mesmo tempo, que as emissões de gases do efeito estufa vindo de edificações respondem por 40% do total mundial. (2006).

O estudo revela ainda que menos de uma em cada sete indústrias questionadas participaram diretamente em projetos de construções verdes. O envolvimento varia de 45% na Alemanha a 5% na Índia. Cerca de 20% dos arquitetos e engenheiros tem se envolvido nesses projetos, comparado com apenas 9% dos proprietários.

Características Construtivas Sustentáveis

- gestão sustentável da implantação da obra;
- consumir mínima quantidade de energia e água na implantação e ao longo de sua vida útil;
- uso de matérias-primas eco-eficientes;
- gerar mínimo de resíduos e contaminação;
- utilizar mínimo de terreno e integrar-se ao ambiente natural;
- não provocar ou reduzir impactos no entorno – paisagem, ventilação e temperatura;
- adaptar-se às necessidades atuais e futuras dos usuários;
- criar um ambiente interior saudável.

Práticas Sustentáveis

Alguns usos podem proporcionar economia e minimizar impactos, quando aplicáveis:

  • painéis solares para aquecimento de água – banho, cozinha, piscinas, etc.;
  • geradores eólicos - armazenando energia dos ventos em baterias podendo suprir parte da demanda do condomínio, por exemplo nas áreas de serviços;
  • placas fotovoltaicas de produção de energia - iluminação externa, bombas d’água, etc.;
  • aquecimento de chuveiros a gás - garante que o consumo de energia elétrica será reduzido nos apartamento, maior conforto e economia aliados à responsabilidade ambiental.
  • captação de água de chuva - ajuda na economia de água que pode ser utilizada para irrigação, lavagem de pisos e descarga;
  • reuso de água - a incorporação em empreendimentos do reuso da água proveniente dos lavatórios e dos chuveiros passa por uma estação de tratamento de esgoto e é novamente armazenada, para uso exclusivo nos vasos sanitários.
  • bacias sanitárias de duplo fluxo (3 ou 6 litros) – possibilitam economia/redução de até 60% do consumo no anual per capita anual ± 10 mil litros;
  • telhados/lajes e jardins suspensos - impermeabilizados e adequadamente drenados possibilitando captação de água de chuva e melhoria do conforto térmico-acústico, etc.;
  • utilizar o ozônio para a tratamento de água da piscina - ao invés do cloro – existem diversos estudos que indicam que o cloro tem potencial cancerígeno, além dos efeitos já conhecidos como desgaste dos cabelos ou poluição química;
  • orientação de edificações - promove aumento da ventilação e luminosidade naturais;
  • melhor aproveitamento da iluminação natural - levando-se em conta a necessidade do seu controle;
  • medidores de água e gás individuais - proporcionando economia na medida que os usuários serão responsáveis pelo pagamento exato do consumo próprio;
  • coleta seletiva - ajuda na reflexão dos princípios base da sustentabilidade pelos condôminos: os 5 “Rs”: Repensar, Recusar, Reduzir, Reusar e Reciclar, além de poder gerar renda extra para o condomínio ou gerando oportunidade de trabalho para comunidades locais em associações de reciclagem;
  • tratamento de efluentes / esgotos e águas cinza - para o adequado lançamento no ambiente natural, evitando a contaminação do lençol freático e corpos d’água (rios, lagoas, mar, etc.), podendo auxiliar na redução do uso para irrigação e lavagem de pisos;
  • uso de alvenaria estrutural - um processo construtivo que não usa madeira a não ser nos acabamentos, produz o mínimo de entulho e resíduos – entre 0 e 1% – economiza matéria-prima, entre outras vantagens;
  • estrutura não armada - as paredes sustentam o peso da construção sem necessidade de pilares e vigas e sem a utilização de ferros. Os reforços metálicos são colocados apenas em cintas, vergas, na amarração entre paredes e nas juntas com a finalidade de evitar fissuras;
  • madeira certificada / reflorestada - só é utilizada em acabamentos e, mesmo assim, é exigido que seja reflorestada;
  • pomar e herbário - além de possibilitar a criação de postos de trabalhos para a comunidade local, permite aos moradores, principalmente as crianças, tenham contato com frutas e verduras diretamente da natureza, vendo-as crescer e aprendendo a cuidá-las, além do prazer de poder colhê-las diretamente “no pé”;
  • iluminação de baixo consumo energético nas áreas comuns de uso contínuo e iluminação com acionadores por sensor de presença nas áreas de uso esporádico ou intermitente – válido também, com maior tolerância, para as unidades privadas;
  • adoção preferencial de acabamentos claros em áreas de grande incidência de luz solar;
  • equipamentos com menor consumo e melhor eficiência possível na utilização do gás natural para todos os fins;
  • sensores de presença - seu uso representa uma substancial redução na conta de luz de cada apartamento e na taxa do condomínio;
  • churrasqueira “ecológica” - possui o sistema de aquecimento a gás em rochas vulcânicas, não produz fuligem e não consome carvão vegetal;
  • melhor condição de conforto térmico evitando a incidência da radiação solar direta através da adoção de soluções arquitetônicas tipo brises-soleil, venezianas, telas termo-screen externas, prateleiras de luz, vidros especiais que dispensam o uso de brises, etc.;
  • pinturas reflexivas - para diminuir a absorção de calor para o edifício;
  • torneiras com acionamento eletrônico ou temporizador por pressão em todas as aplicações passíveis;
  • evitar ao máximo a impermeabilização do solo;
  • evitar danos à fauna, flora, ecossistema local e ao meio ambiente;
  • evitar grandes movimentos de terra, preservando sempre que possível a conformação original do terreno;
  • gruas e guindastes - no processo construtivo, são utilizadas gruas ou guindastes para levantar lajes e outros itens mais pesados que antes necessitassem de andaimes;
  • criar e promover curso de gestor ambiental do condomínio, envolvendo todo corpo de funcionários com treinamento adequado visando a educação e a criatividade;
  • construção com tijolos de solo-cimento - quando possível e adequado.

Fonte: ecobrasil.org.br