Condomínio self-service: Serviços e moradia num só lugar

Do autosserviço, como lavanderias e caixas de correspondência, a prédios de uso misto, com alas residenciais e comerciais, os condomínios tendem a mudar de feição nas grandes cidades. Existem também aqueles que alugam áreas comuns para escolinhas, padarias, salões de beleza etc. Saiba como gerir a nova realidade.

Os moradores de dois conjuntos residenciais da zona Sul de São Paulo já se acostumaram a algumas comodidades que representam grande vantagem face ao trânsito caótico da cidade: eles não precisam sair dos limites do condomínio para comprar pães ou sucos, cortar cabelo, contratar uma viagem e até deixar o filho pequeno na escolinha enquanto trabalham. Ambos os empreendimentos – o Colina Veredas, na Vila Mascote, e o Residencial Interlagos, na Vila Inglesa – dispõem de pequenos comércios e serviços em áreas construídas ou adaptadas para essa finalidade.

Já os moradores das 76 unidades do Condomínio Edifício The Point, de Moema, se habituaram ao conforto de deixar a roupa lavando e secando na lavanderia profissional do prédio, e muitos aposentaram as máquinas caseiras. “A lavanderia profissional é o elixir da juventude do prédio”, descreve a síndica profissional Rosa Braghin.

E na região de extensão da Vila Leopoldina, zona Oeste, nas imediações da Ceagesp, um empreendimento de uso misto antecipa a tendência dos novos prédios em São Paulo: aproximar residência, comércio e serviço. Pelo menos essa é uma das diretrizes do Plano Diretor do Município aprovado em 2014 e em vigor desde o final de julho.

“O ponto positivo de um condomínio misto é que ele permite às pessoas morarem e trabalharem perto”, defende o síndico profissional e advogado Hugo Leonardo Ribeiro, do condomínio Nova Leopoldina. O empreendimento foi entregue em 2012 e se encontra dividido entre torres residenciais (Tribeca) e comerciais (Soho Office), com 264 unidades cada, boa parte já ocupada. No local estão previstos serviços e lojas, como o salão de cabeleireiro e o café já inaugurados.

O síndico do empreendimento é único, mas as Convenções, os Regimentos Internos, os conselhos, as prestações de contas, os valores dos rateios, as portarias e as equipes de funcionários são independentes, esclarece Hugo Ribeiro. “Eles têm finalidades e necessidades diferentes”, como o horário para obras, que no comercial não sofre restrições no período noturno nem nos finais de semana, exemplifica. As assembleias, por sua vez, são convocadas para a mesma data, no entanto, as deliberações relativas ao residencial e ao comercial ocorrem em momentos distintos.

A partir de sua experiência no local, Hugo Ribeiro sugere aos construtores e administradores pensar em uma Convenção mais adequada às necessidades de seus ocupantes no ato de implantação de um condomínio misto. No Nova Leopoldina, algumas lacunas na Convenção vêm opondo os interesses dos condôminos com os de um investidor que comprou junto à construtora o direito de explorar comercialmente um lote de vagas de garagem. “Ainda não conseguimos chegar a um acordo e iremos mudar as Convenções para aparar essas lacunas”, afirma o síndico.

O AUTOSSERVIÇO

Lavanderia modernizada do Condomínio The Point, em Moema

No Condomínio Edifício The Point, prédio de vinte anos em Moema, o diferencial é o autosserviço. O residencial passou por ampla renovação nos últimos cinco anos, com vistas a pegar carona na valorização da região. Além das reformas estruturais, envolvendo impermeabilização e fachada, por exemplo, e da modernização dos elevadores, a síndica Rosa Braghin apostou na sofisticação de alguns serviços aos moradores, cujo perfil é composto de profissionais liberais, que vivem sozinhos e viajam bastante.

Cada um tem sua caixa de correspondência, de onde retiram cartas, jornais e revistas, eliminando a demanda da entrega porta a porta que havia antes sobre a zeladoria; uma lavanderia profissional disponível 24 horas por dia, de domingo a domingo; e uma nova academia de ginástica, montada através de contrato de locação. Em vez de comprar equipamentos para renovar o fitness, o condomínio optou pelo seu aluguel, garantindo aparelhos profissionais, com manutenção permanente.

Mas a menina dos olhos da síndica é a lavanderia. Foi modernizada em 2011. Dois conjuntos de máquinas importadas, integrando lavadora e secadora, substituíram equipamentos caseiros então disponíveis no prédio. As máquinas foram alugadas junto ao fornecedor, que se responsabiliza pela manutenção. Elas informam ao usuário o tempo previsto para o serviço. Desta maneira, o condômino pode aguardar em casa a finalização dos ciclos de lavagem e secagem. A síndica instalou uma câmera do circuito de CFTV no ambiente para coibir qualquer tentativa de furto das peças deixadas nas máquinas.

Cada condômino tem direito a duas fichas por semana para usar lavadora e secadora, exceto os inadimplentes. Fichas extras custam R$ 10,00, valor que ajuda no pagamento da locação. Rosa Braghin diz que a lavanderia funciona hoje como um importante chamariz para a comercialização dos imóveis no prédio, bem como para coibir a inadimplência. E representou boa economia em manutenção e consumo de água e energia.

ESPAÇOS MULTIUSOS

No Condomínio Colina Veredas, residencial com cinco torres construídas em 1976, os moradores das 405 unidades contam com diferentes tipos de serviços, como salões de beleza, escolinha com berçário, oficinas de costura, agência de viagens, corretoras, um pequeno empório, lanchonete e até uma padaria que serve almoço. “Arrecadamos R$ 19 mil com a locação desses espaços, dinheiro que vai para uma poupança própria”, afirma o síndico Rodolpho Ferreira Netto.

Segundo ele, o valor arrecadado é destinado temporariamente às obras de melhorias do condomínio e ajudou a pagar a pintura recente dos edifícios. Os serviços existem há mais de vinte anos, estão previstos na Convenção e começaram a ser explorados pelos próprios condôminos, aproveitando-se a readequação dos amplos espaços comuns, como um centro de convivência projetado pela construtora e a antiga casa do zelador (que abriga uma escola infantil). A ideia é facilitar a vida dos moradores, mas os vizinhos externos acabam usufruindo a estrutura, não sem antes passar pela triagem da portaria, observa Rodolpho.

O Condomínio Residencial Interlagos, por sua vez, restringe aos moradores o acesso à sua pequena estrutura de comércio e serviços, tanto ao empreendedor quanto consumidor. Duas padarias, salões de beleza, bazar, doceria, oficina de conserto de bolsas e malas, corretoras e uma escolinha para os pequenos, entre outros, foram instalados em grandes áreas deixadas pela construtora sob cada uma das sete torres do empreendimento. Algumas delas acabaram subdivididas e sua destinação foi aprovada em assembleia, conta a síndica Maria Virgínia Santos. Outros espaços, no entanto, não tinham função prevista em Convenção, assim, foram revertidos para os serviços, cujo objetivo é proporcionar um benefício extra ao condômino. “Não interessa o lucro”, comenta Maria Virgínia. “Temos aqui uma mini cidade e queríamos dar essa opção às pessoas que não possuem carro ou apresentam dificuldade de se locomover.”

Fonte: Direcional Condomínios