Como manter a casa aquecida sem sobrecarregar a conta de luz

Otimizar o uso de equipamentos e investir em sistemas modernos de climatização pode garantir o conforto térmico sem pesar no orçamento

Para otimizar o uso do ar-condicionado no inverno, a dica é regular e manter uma temperatura constante, próxima de 25°C. | Antonio Costa

Os dias frios chegaram e, na outra ponta da queda das temperaturas, os proprietários dos imóveis estão tendo que se desdobrar para aquecer os ambientes sem superaquecer a conta de energia, que já subiu 51% em 2015 só no Paraná. Na hora de otimizar o consumo, soluções que vão da escolha dos aparelhos à instalação de modernos sistemas de aquecimento podem se transformar em aliadas para aliviar o bolso sem abrir mão do conforto.

Para quem usa aquecedores portáteis, a orientação de Luiz Amilton Pepplow, engenheiro eletricista e professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), é optar pelos modelos a óleo, que prometem uma economia de cerca de 15%, segundo os fabricantes, em comparação aos que utilizam resistência incandescente. “Esses tipos de aquecedores servem ambientes de menor volume, como quartos e pequenas salas”, lembra o professor.

Em relação ao ar-condicionado, a dica é regular e manter o aparelho em torno dos 25°C (suficiente para garantir a sensação de conforto), pois alterar constantemente a temperatura pode fazer com que o consumo de energia aumente. “Manter os ambientes fechados, sem frestas em janelas e portas, contribui com o aquecimento, pois evita a troca de ar quente com o exterior”, acrescenta Pepplow. Nesta hora, vale contar com os sistemas modernos de esquadrias que, respondendo à norma de desempenho das edificações, contribuem para a vedação dos espaços.

No banho

Para reduzir o consumo de energia no chuveiro, pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora desenvolveram um método baseado não apenas no aquecimento da água, mas também do ambiente de banho.

O estudo* propõe que ao entrar no box, o usuário feche a porta e ligue um sistema de aquecimento durante um minuto na temperatura de sua escolha. Com o ambiente aquecido, a temperatura da água requerida para o banho é mais baixa, resultando em menor consumo de energia pelo chuveiro. “A energia gasta para aquecer o ar [do ambiente] é menor do que a utilizada para esquentar a água, logo o balanço final é positivo. A economia obtida em relação ao banho convencional é de 30% nos dias frios”, explica, em nota, o professor Marco Alves, um dos idealizadores do projeto.

Calor da terra

Ainda pouco conhecida no país, a geotermia desponta como uma atraente alternativa para climatizar os ambientes. Alexandre da Silva Castagini, diretor comercial da Riscaldati, conta que o sistema é capaz de reduzir em até 85% o gasto de energia com aquecimento ao ter no solo 65% de sua fonte de calor.

Pelo sistema, o ar externo é levado para dentro da residência por meio de um duto enterrado a cerca de 2 m de profundidade, na qual a temperatura se mantém constante entre 16°C e 18°C. Dele, o ar segue para uma espécie de condensador onde “termina” de esquentar até a temperatura desejada pelo morador. “A difusão do ar para os cômodos é feita por dutos e grelhas, assim como no sistema de ar-condicionado. Cada ambiente tem termostato individual, no qual é possível regular a temperatura”, acrescenta Cassiano Garcia, sócio-diretor da Construtora Monreal.

Preocupação com conforto térmico começa no projeto

Os especialistas lembram que, diferente do que ocorre nos países do hemisfério norte, as construções brasileiras não são preparadas para o inverno – e nem para o verão –, necessitando de uma ajuda extra para se manterem climatizadas. Por isso, a preocupação com a performance térmica dos imóveis ainda na fase do projeto torna-se uma importante aliada para garantir o conforto e reduzir o consumo de energia de uma residência.

Para a construção, apostar em paredes duplas de alvenaria, “preenchidas” com um bolsão de ar, é uma das opções para dificultar a troca de calor entre os ambientes interno e externo, como lembra a arquiteta Monica Raeder. Na cobertura, instalar duas camadas de telhas metálicas intercaladas com material termoacústico ou utilizar telhas de barro mais espessas, que retêm o calor por mais tempo, são algumas das alternativas para otimizar a “climatização” natural.

“Um projeto bem feito, do ponto de vista da implantação e da envoltória [construção], promove o conforto térmico de forma passiva, fazendo com que se consiga utilizar o mínimo possível os sistemas de aquecimento ativos, como aquecedores e ares-condicionados”, pontua Carstens.

Fonte: Gazeta do Povo