Como as competências emocionais podem ajudar o síndico?

Como as competências emocionais podem ajudar o síndico?

Ter conhecimento básico de legislação condominial, engenharia e contabilidade são habilidades práticas que bastam para o síndico realizar uma boa gestão, se for levado em conta o campo da razão. Porém existe um item que impulsiona as ações das pessoas, além da sabedoria técnica, e deve ser levado em conta: as emoções.

Saber reconhecer suas competências emocionais e de sua equipe é uma ferramenta para o gestor condominial desenvolver um bom trabalho, aproveitando o que cada um tem de melhor para oferecer.

Na década de 90, o psicólogo americano Daniel Goleman, em seu livro Inteligência Emocional, já elencava a necessidade de prestarmos mais a atenção nesses sentimentos. “Fomos longe demais quando enfatizamos o valor e a importância do puramente racional – do que mede o QI (Coeficiente de Inteligência) – na vida humana. Para o bem ou para o mal, quando são as emoções que dominam, o intelecto não pode nos conduzir a lugar nenhum”, diz na obra.

A Inteligência emocional envolve as habilidades para lidar com as emoções e aproveitando-as para o crescimento pessoal e de relacionamentos. Descontrolados, esses sentimentos dissipam um índice elevado de energia, dificultando o alcance dos objetivos.

Administrar as emoções em prol do objetivo

Normalmente as pessoas vêem a emoção apenas como o impulso que as levam a tomar atitudes extremas, momentos de raiva, ira, orgulho, avareza e inveja. Porém, especialistas apontam que a emoção administrada e direcionada para o objetivo desejado é uma forma inteligente de usar esses sentimentos, que se tornam competências. “O plano emocional, com demasiada intensidade se explana como um vício emocional. Já a emoção na dose certa se manifesta como competência emocional”, diz o psicoterapeuta e fundador do Instituto Eneagrama, Márcio Schultz.

Entre as competências emocionais estão a persistência, que é necessária para enfrentar desafios; a introversão, ótima aliada para ações que necessitam de criatividade, e a prudência, muito importante para o momento de fechar contratos.

Essa habilidade é expressa pelo síndico quando ele consegue ser empático, se colocando no lugar do outro. Também é imprescindível ter ímpeto. “Quem tem essa competência gosta de desafio. O síndico deve buscar desenvolver o ímpeto, caso contrário vira o síndico apático, aquele que não quer conflito e acaba sendo chamado de boca mole”, alerta Schultz.

Outra habilidade importante é saber motivar a si e ao grupo. Não deixar a apatia bater perante as dificuldades, enfrentar e buscar soluções. Isso não significa que precisa resolver tudo sozinho. Em um condomínio, a função do síndico é liderar, ter a capacidade de fazer as pessoas se responsabilizarem pela preservação do edifício.

A era da coletividade

O século 20 foi o período das descobertas tecnológicas, que acrescentou facilidades na vida das pessoas, mas também trouxe o isolamento das conversas cibernéticas. Em controvérsia com a cultura individualista, um novo tempo chegou para equilibrar as relações. “O século 21 é considerado a era da coletividade. Não conseguimos fazer nada sozinhos, cada vez mais precisamos de parcerias, o que exige do ser humano a habilidade de conviver”, observa a psicóloga Maria Olívia Seleme. No condomínio, o síndico precisa constantemente estar em contato com as pessoas, por isso é importante compreender a inteligência relacional.

O psicólogo Luis Carlos Osório, estudioso do comportamento humano, no seu livro Psicologia Grupal define a inteligência relacional como “a capacidade de os indivíduos serem competentes na interação com outros seres humanos no contexto grupal em que atuam. A competência interpessoal é a que cada membro de um grupo deve possuir para que a tarefa que devem realizar juntos tenha êxito”.

De acordo com Maria Olívia, o síndico tem a tarefa específica de administrar o condomínio, “vai gerenciar coisas, mas liderar pessoas. Aí que vêm as dificuldades”, alerta. Segundo a psicóloga, o líder moderno é o que não só cuida das tarefas, das questões burocráticas, mas também zela pelos relacionamentos. “Hoje devido ao crescimento da relação humana virtual, os indivíduos têm dificuldade de olhar nos olhos, ter um tempinho para escutar o que a pessoa quer falar. O síndico precisa trabalhar essa capacidade principalmente de saber ouvir com empatia para ele também poder ser ouvido”, destaca Maria Olívia.

Síndicos: os nove perfis do Eneagrama

Abaixo seguem os nove padrões de síndicos segundo o Eneagrama. Um estudo que apontam as motivações básicas para as ações das pessoas, de acordo com nove tipos psicológicos. É utilizado como ferramenta para autoconhecimento e superação de limitações.

Tipo 1 – síndico persistente ou perfeccionista

Os síndicos que adotam o tipo um são centrados na ação, têm um senso prático que dá prioridade às tarefas a serem realizadas. A competência emocional é a persistência e isso faz deles pessoas tenazes e exigentes consigo mesmas. “Se comecei quero ir até o fim”.

O desafio é administrar a dose de persistência, que em excesso se transforma em raiva, que é um vício emocional. Quando estão seqüestrados pela raiva ficam excessivamente exigentes, e são conhecidos como “cri-cris”. Ninguém consegue chegar ao patamar de exigência deles e acabam frustrando aqueles que dão o seu melhor, mas segundo os olhos do “cri-cri”, ainda não é o suficiente.

Tipo 2 – síndico voluntarioso ou invasivo

Os síndicos que adotaram o tipo dois são centrados na emoção, têm uma percepção aguda dos outros, tornando-se conquistadores, que conseguem o que querem das pessoas. A competência emocional é a sensação de capacidade. “Se alguém conseguiu eu também posso”.  Seu entusiasmo contagia e estimula os que estão ao redor a também se sentirem capazes.

O desafio é administrar a dose de sensação de capacidade, que em excesso se transforma em orgulho, que é um vício emocional. Quando seqüestrados pelo orgulho ficam cheios de si mesmos. Acreditando que somente eles são capazes. “Se eu não estou aqui nada funciona”. Acabam sendo invasivos e não dão espaço pra ninguém.

Tipo 3 – síndico bem-sucedido ou narcisista

Os gestores condominiais que adotam o tipo três são centrados na ação ou no planejamento. São comunicadores hábeis e sua competência emocional é a adequação. Focados no resultado assimilam todas as alternativas que garantam o sucesso da empreitada. Estimulam os que estão juntos a conquistar resultados mais elevados. O desafio é dosar a adequação que em excesso se transforma em vaidade e acabam estressando todos em nome de uma excelência.

Tipo 4 – síndico original ou excêntrico

Os síndicos que adotaram o tipo quatro são pessoas centradas na emoção, são criativos e inovadores, propondo qualidade e requinte em tudo o que fazem, sua competência emocional é a introversão. Estimulam a todos que estão juntos a buscarem o melhor de si mesmos de forma original e autêntica. O desafio é dosar a introversão para que ela não se transforme no vício emocional da inveja, pois tornam-se pessoas críticas e muitas vezes irônicas, desprezando tudo o que não for tão original quanto eles.

Tipo 5 – Síndico analítico ou apático

Os síndicos que adotam o tipo cinco são centrados na mente, têm curiosidade pelo entendimento, tornando-se planejadores extremamente racionais, analisando de forma ampla os desdobramentos de todas as ações. Sua competência emocional é a desidentificação, que os torna pessoas que não são tomados pelo calor do momento e conseguem ter visões de longo prazo.

Estimulam todos a analisar de forma mais ampla e não serem impulsivos nas decisões. O desafio é dosar a desidentificação para que ela não se transforme no vício emocional da avareza, que deixa-os apáticos e distantes, atuando com um ar de superioridade intelectual.

Tipo 6 – síndico prudente ou medroso

Os síndicos que adotam o tipo seis são centrados na ação ou na emoção, buscam alternativas que garantam a ação e satisfaça os interesses do grupo. Sua competência emocional é a prudência e estimulam a todos a pensar em termos de ação e reação. Seu desafio é dosar a prudência para que ela não se transforme no vício emocional do medo, que faz deles pessoas controladoras, que querem tudo do seu jeito e evitam ser pegos de surpresa, argumentando de forma enfática o perigo que pode estar vindo.

Tipo 7 – síndico inovador ou inconstante

Os síndicos que adotam o tipo sete têm uma agilidade mental para lidar com várias coisas ao mesmo tempo. A competência emocional é a curiosidade e gostam de inovar. Estimulam todos a serem otimistas e olharem para o lado positivo. O desafio é dosar a curiosidade para que ela não se transforme em gula, que é o vício emocional da instabilidade. Querem mudar tudo e não respeitam a velocidade e valores dos outros.

Tipo 8 – síndico realizador ou confrontador

Os síndicos que adotam o tipo oito são centrados na ação, têm facilidade em mandar e liderar, dando prioridade à realização. Tudo ao seu redor tem de ser desafiador e sua competência emocional é o ímpeto. Estimulam aqueles que estão ao redor a assumir desafios e superar dificuldades. O desafio é dosar o ímpeto para que não se transforme em luxúria e comecem a ser mandões que intimidam os outros com seu apego à força e ao poder.

Tipo 9 – síndico conciliador ou indeciso

Os síndicos que adotam o tipo nove são centrados na emoção ou na mente, têm uma atitude mediadora, dando prioridade ao bem comum. A competência emocional é a tolerância e estimulam a todos terem respeito pelas diferenças e harmonia nas relações. Seu desafio é não deixar a dose de tolerância se transformar em indolência, pois começam a procrastinar decisões e deixam de se posicionar, esperando que outros assumam a decisão.

Fonte: Instituto Eneagrama | http://condominiosc.com.br/