Caixa-d’água extra exige atenção à estrutura e liberação do condomínio

O risco de racionamento tem provocado um verdadeiro corre-corre às lojas de material de construção para garantir uma nova caixa-d’água –e maior abastecimento– em São Paulo.

Segundo a Aabic (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), os prédios paulistas têm caixas com capacidade suficiente para suportar em média 3,5 dias sem reabastecimento, considerando o consumo de 150 litros ao dia por unidade.

Caso o rodízio adotado pela Sabesp (companhia de abastecimento) seja de cinco dias, conforme expectativa, seria necessária uma nova caixa para garantir o fornecimento ininterrupto nas torneiras.

No entanto, as caixas para suprir os condomínios costumam ser grandes e, para instalá-las é preciso passar por uma série de burocracias técnicas, segundo Eduardo Zangari, diretor de Relações Institucionais da Aabic.

“É preciso aprovar a instalação em assembleia. Na discussão é preciso ter já três orçamentos e o principal, o espaço que deverá ser usado para a obra”, diz Zangari.

Saber o tamanho da caixa é fundamental para garantir a aprovação. Existem empresas na capital especializadas em calcular a quantidade exata de litros para garantir o abastecimento, mesmo com o racionamento.

“Meu prédio está consumindo 18 metros cúbicos por dia. Se ficarmos cinco dias sem água, serão necessários 90 mil litros. Minha caixa de água tem 64 mil litros. Ou seja, precisaria de uma caixa de 26 mil litros para garantir o abastecimento”, explica Zangari.

A lista de empresas que realizam o trabalho podem ser conseguidas com o Crea (conselho de engenharia e arquitetura) ou com o CAU (conselho de arquitetura e urbanismo).

Com esses números, é preciso fazer o estudo técnico para verificar se a estrutura do prédio comporta a instalação e o peso de uma nova caixa. Também será necessário um estudo hidráulico.

“Toda a estrutura hidráulica seria mudada, pois não há previsão para uma nova caixa-d’água. Isso demanda um novo cálculo de peso e reforço na estrutura da edificação”, diz Valnei Ribeiro, gerente regional de condomínios da Apsa.

Segundo o arquiteto Marcello Sesso, do escritório Sesso & Dalanezi, os prédios mais novos possuem shafts –estruturas verticais “ocas” para passagem de tubulação–, que permitem adição de uma nova estrutura. Nos mais antigos, a situação fica um pouco mais complicada.

Para sanar esse problema em prédios mais antigos, os síndicos têm optado por aprovar a instalação em áreas como quadras ou subsolos de garagem. “É algo em caráter emergencial. Por isso é preciso da aprovação da utilização do espaço pelos moradores”, afirma Zangari.

CUIDADO NA ESTOCAGEM

Os profissionais ouvidos pela Folha também orientam os condôminos a terem cuidado com as alternativas para a estocagem de água. Instalar tambores ou piscinas em varandas para reaproveitar água da lavadora ou da chuva requer estudo.

“O morador deve averiguar se a laje suporta o peso concentrado. Mesmo que suporte, provavelmente de maneira individual ele não conseguira captar a água da chuva e se isso também não interferirá na fachada”, diz Marcello Sesso.

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Fonte: Folha de S. Paulo