Bichos escrotos

Você comprou um apartamento novo, ou acabou a reforma da sua antiga casa. Imagina que não vai mais ter de pagar altas prestações nem ter dor de cabeça com fornecedores e prestadores de serviço.

pragas urbanas

Até que vai à cozinha e se depara com formigas em cima da mesa, nos armários, na pia. Olha para o lado e vê que cupins estão acabando aos poucos com portas e móveis de madeira. Isso sem falar nos roedores, que fazem indesejadas visitas, e nos pombos, que arrulham nas janelas e tiram seu sossego.

Em conversas com síndicos e moradores, percebo que as pragas urbanas se agravam cada vez mais em São Paulo. E engana-se quem acha que elas atacam apenas os prédios antigos: novos empreendimentos também sofrem com infestações. Há casos de ratos que foram encontrados no 15º andar.

Não bastasse esse pesadelo, o biólogo e professor Randy Baldresca, profundo conhecedor do tema, alerta para um novo inimigo que tem sido encontrado em condomínios: o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), que causou 90 mortes em 2011, segundo o Instituto Butantan.

Com a chegada da primavera e, sobretudo, com as chuvas de verão, esses problemas tendem a se agravar. Eles são um efeito nefasto do desordenado boom imobiliário na cidade. As escavações são cada vez mais rápidas e profundas, o solo está se tornando impermeável e o volume de lixo e dejetos produzidos é assustadoramente grande.

Em paralelo, não há investimento em redes e galerias de esgoto, tampouco estudos sobre impactos ambiental, de higiene e saúde.

É essencial que a administração do condomínio mantenha um rigoroso controle de limpeza, conservação e fiscalização das áreas comuns e cumpra rigorosamente uma agenda de ações de combate às pragas urbanas, com menção na previsão orçamentária.

Assim como todas as questões importantes da vida em condomínio, a solução para as pragas não depende apenas do síndico, mas sim da conscientização, da colaboração e da fiscalização de todos os moradores.

Por: Márcio Rachkorsky

Fonte: Folha de São Paulo