Áreas comuns podem representar riscos para moradores dos condomínios

EDILAINE FELIX

Condomínios têm espaços que, se não estiverem devidamente sinalizados, com manutenção em dia, material e mobiliário correto para o local, podem ser arriscados para moradores, funcionários e visitantes.

Segundo o gerente da Auxiliadora Predial, Julio Herold, o importante é trabalhar com a prevenção. Hall, corredores e escadas devem ter pisos antiderrapante para evitar quedas. Além de ser fundamental colocar placas de aviso sempre que o piso estiver molhado nesses locais.

“É necessário fazer a manutenção preventiva e investir em treinamento adequado dos funcionários, para que observem os pontos de atenção nas áreas comuns”, acrescenta Herold.

Outra recomendação refere-se aos portões automáticos das garagens. “Por imprudência do morador, que quer aproveitar que está aberto e passar, o portão pode fechar, cair em cima do carro. O dano é grande, para o carro, o portão e pode ser perigoso para o motorista”, diz.

Outra área que deve ser alvo de atenção redobrada, segundo o gerente da Auxiliadora Predial, é o playground. Ele orienta os condomínios a comprar brinquedos plásticos, que não machucam e têm manutenção mais barata.

“Outra orientação diz respeito aos corrimãos das escadas, que devem ter pontas arredondadas”, diz Herold, lembrando que as academias devem ter regras de uso e orientação constante aos moradores que as frequentam. “Tem de colocar as regras de manutenção de uso dos espaços nos murais e orientar sempre”, diz.

Cuidado. Eduardo Araújo Bim, de 45 anos, é síndico de um condomínio-clube de 336 unidades na zona sul que tem um profissional de manutenção fiscalizando as áreas comuns de segunda a sábado. O objetivo é evitar acidentes.

“Esse profissional faz troca de lâmpadas, limpa a piscina, avalia os brinquedos do parque, as bombas de água, a casa de máquina, as placas informativas, as churrasqueiras, escadarias e portas corta-fogo”, conta.

A piscina, uma coberta e outra descoberta, segundo Bim, requerem cuidados especiais. Possuem horários para uso e informativos orientam sobre as proibições, como comer, fumar e ficar no local com chuvas fortes com raios e trovões.

Ele conta que na passagem da piscina descoberta para a coberta o piso é de porcelanato liso, que é capaz de provocar escorregões. “Para ficar mais seguro, fizemos um tapete acarpetado ligando os dois espaços”, diz.

Na academia, há um instrutor em horário de pico, (manhã e noite), justamente para evitar acidentes com o uso indevido dos aparelhos. E é proibida a entrada de menores de 14 anos desacompanhados.

O portão de acesso à garagem do prédio é feito pelo porteiro, mas a passagem de pedestre fica ao lado. “Para evitar acidentes, isolei a área para impedir que moradores entrem caminhando pela garagem quando o portão estiver aberto.”

Síndico. Preocupação com locais destinados às crianças levou Eduardo Araújo Bim a colocar piso de borracha permeável sobre grama do playground (Foto: Marcio Fernandes/Estadão)
Crianças. O playground do condomínio de Bim foi entregue com brinquedos feitos em madeira. Segundo ele, é madeira de eucalipto tratada, com maior durabilidade e resistência. No entanto, ele afirma, o cuidado e a vistoria são constantes, além de serem prioridade do profissional da manutenção.

“Há seis meses colocamos sobre a grama do parquinho um piso de borracha permeável.” Ele diz que o piso minimiza o impacto em quedas e tombos. E, na brinquedoteca, o condomínio contratou uma equipe de três monitores que brincam e cuidam das crianças.

“No meu condomínio, em razão da grande quantidade de crianças e adolescentes, os locais mais perigosos são piscina, playground e brinquedoteca. Por isso, temos muita atenção e manutenção nesses espaços”, garante Bim.
Manutenção adequada é o fator principal para evitar acidentes nas áreas de maior risco nos condomínios, segundo a gerente geral de atendimento do Grupo Itambé, Vania Dal Maso.

A gerente aponta piscina, playgrounds, elevadores, pisos, academias, garagens, grelhas – ralos para escoamento de água – como potenciais riscos de acidentes, caso não haja manutenção. “Precauções básicas podem ser tomadas, como colocar faixa amarela ou a logomarca do condomínio nos vidros, instalar piso antiderrapante e faixas crespas nas escadas.”

Segundo ela, no caso dos portões de garagem, os problemas enfrentados vão desde defeito no controle remoto até falta de manutenção, o que causa riscos para as pessoas e veículos. Vania alega que muitos dos serviços podem ser feitos com custo baixo para o prédio – como adesivos, placas de piso molhado, faixas crespas – ou por empresa especializada, no caso de elevadores e piscinas.

“Os condomínios são obrigados a ter contrato de manutenção para elevadores e para as piscinas, por isso recomendo ter uma empresa para a prestação de serviços.”

Fonte: Estadão