Ainda muito seletiva

Uma iniciativa sustentável, interessante tanto para o meio ambiente quanto para a economia, mas ainda muito restrita. A coleta seletiva, ação que consiste no recolhimento de material reciclável do lixo, não chega a 1,4% do total de resíduos captados na cidade, segundo a Comlurb. Iniciada em 2002 no Rio, atende a 42 bairros, mas não em suas totalidades. Na Grande Tijuca funciona, por exemplo, em quase 70 ruas, mas com poucas residências aderindo.

A atuação acontece sempre em dias alternados ao recolhimento do lixo orgânico. É feita de segunda a sábado, em horários específicos, em algumas ruas do Andaraí, Alto da Boa Vista, Praça da Bandeira, Rio Comprido, Tijuca e Vila Isabel. Catumbi e Estácio não contam com o programa.

Júlio César Chagas, coordenador do programa de coleta seletiva da Comlurb, afirma que a companhia pretende expandir a ação:

— Queremos chegar ao fim do ano com 5%. Para 2014, a meta é 10%. Para isso, temos que nos comunicar de forma clara com a população, para que haja engajamento, vontade popular. E pretendemos aumentar nosso contingente e frota e criar seis novos centros de triagem.

A separação do lixo obedece a uma série de regras: o material reciclável deve ser colocado limpo e seco em sacos plásticos transparentes para que o gari verifique o conteúdo, evitando a mistura com o lixo domiciliar. Vidro, papel, metal e plástico não se misturam a isopores, espelhos, lâmpadas, pilhas e baterias. Mais informações podem ser obtidas no site rio.rj.gov/comlurb, onde há uma lista com as regras.

— Pedimos aos moradores para que não usem sacos escuros. Atrasa o trabalho. Temos que abrir e verificar. Caso o lixo esteja misturado com o orgânico, colocamos um adesivo amarelo, para que outros garis catem. Que fique claro, então: recolhemos apenas o material reciclável limpo. E é bom sempre verificar se latas ou garrafas ainda contêm algum líquido — alerta o gari Jones Canuto, na Comlurb há 12 anos.

Josué Pinheiro, síndico do edifício no 320 da Rua Major Ávila, na Tijuca, afirma que o condomínio aderiu ao programa desde o seu começo.

— Em 2002 a Comlurb nos procurou. Não pensamos duas vezes. Avisamos aos moradores as regras e o procedimento e hoje em dia é uma unanimidade — relembra.

O material coletado é encaminhado a cooperativas e associações de catadores cadastradas. O destino final do lixo na Grande Tijuca é a Associação Beneficente Padre Navarro (ABPN), em Benfica. Lá, os catadores separam os resíduos e imprensam. Depois, vendem para fábricas.

— Há 40 pessoas trabalhando aqui. A coleta é o sustento de muitos deles. São cerca de 90 toneladas por mês. Não será mais necessário recolher o material diretamente da rua. Ao mesmo tempo em que se evita que o lixo seja espalhado pela cidade. Agregamos valor aos produtos e podemos vendê-los a um preço superior, garantindo uma renda maior e afirmando o caráter de inclusão socioprodutiva do programa — diz o Padre Navarro.

O biólogo Mário Moscatelli critica o que ele chama de “cultura do desperdício”:

— O brasileiro precisa entender que o lixo é matéria prima e energia. Vivemos em um país de abundância. Estamos mal acostumados. Devemos pensar também na questão socioeconômica. É emprego para muita gente. Em países desenvolvidos, o ofício da coleta é uma profissão extremamente importante e respeitada — afirma.

Para participar da ação é necessário que a rua esteja incluída no roteiro. Além disso, o morador deve entrar em contato com a Comlurb através do telefone 1746.

Fonte: Extra