Ações que valorizam o imóvel

Qualidade do entorno e mercado aquecido ajudam, mas iniciativas tomadas no próprio condomínio são fundamentais

A pesquisa Panorama do Mercado Imobiliário 2012, do Secovi-Rio, destacou o quanto as melhorias em infraestrutura por toda a cidade têm gerado valorização não só na zona sul, mas também em áreas antes desassistidas das zonas norte e oeste da capital fluminense.

O item valorização do imóvel é uma das principais preocupações de proprietários e administradores. E todos sabem que obras pela cidade e mercado aquecido ajudam.

Mas que itens e ações no próprio imóvel mais agregam valor ao bem?

Tudo a ver com o síndico – Um dos principais interessados no tema é o síndico. Afinal, a valorização de um imóvel sob sua gestão é o melhor currículo que pode apresentar.

José Brito é só orgulho ao contar que há fila nas administradoras por imóveis no prédio que administra desde 2004, no Méier, zona norte do Rio.

“Um apartamento de dois quartos que valia R$ 120 mil, quando assumi, hoje vende na hora por R$ 450 mil”, comemora o síndico do Condomínio Patrícia.

Ele reconhece que parte desta valorização tem a ver com o especial momento do mercado imobiliário e com o crescimento do bairro, destaque em todos os índices de pesquisa sobre o assunto. Mas coloca na balança a sua decisão, ao assumir, de tornar o edifício referência em beleza e qualidade de vida na zona norte.

“Considero o desleixo da administração o principal fator de desvalorização. Falta de conservação, porteiros mal-educados e mal trajados, rotinas sem controle ou regras. Quem quer morar ou trabalhar em um local deste jeito?”, questiona.

Caminhando no sentido inverso, o síndico investiu em reforma de fachada, cuidados com os jardins, criação de áreas de lazer, adoção de sistemas e rotinas de segurança.

Focado em sua meta, trocou as grades de ferro do entorno do prédio por outras, tubulares. A estrutura na cor branca e com vidros transparentes – sucesso nos imóveis da orla na época – causou grande impacto.

O visível e o funcional – “O que é visível é o que pesa na tomada de decisão pela compra ou aluguel de um imóvel, mas será isto somado à infraestrutura e ao correto funcionamento das instalações, o que, boca a boca, espalhará a informação de que aquele condomínio é de alto padrão”, afirma.

Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-Rio, concorda com o síndico. “A boa aparência é o que reflete diretamente na percepção de valor. É algo que, de certa forma, tende a contagiar os que estão ao redor. Administradores mais atentos acompanham os movimentos da cidade e buscam tendências, a fim de garantir a manutenção do valor e uma valorização ainda maior”, afirma.

O Centro de Pesquisa e Análise da Informação do Secovi-Rio (Cepai) avaliou dados sobre o valor dos imóveis do bairro do Maracanã e de seu entorno quando da divulgação das obras de modernização do estádio de futebol e depois de seis meses da notícia. As obras estavam longe de acabar, mas o mercado já refletia uma valorização grande e não apenas no Maracanã, mas também nos bairros próximos.

Infraestrutura de transporte, comércio e demais serviços, inclusive de segurança, educação, saúde e lazer, são outros itens que influenciam o valor dos imóveis. Mas, pontualmente, qualquer imóvel pode alcançar valorização, começando ele o movimento, como fez o síndico do Condomínio Patrícia, no Méier.

“Hoje a nossa grade branca, que foi novidade no bairro, já pode ser vista em outros prédios. Alguém tem que começar”, ensina José Brito.

“Ainda não temos esta cultura de ações permanentes focadas na valorização dos imóveis, mas esta é uma tendência forte no mercado, e quem investe procurando aproveitar o momento de crescimento caminha junto com ele”, conclui Schneider.

O que agrega valor

  • Investimentos em manutenção das fachadas
  • Boa conservação das áreas comuns
  • Bom uso das áreas de lazer
  • Pleno funcionamento das instalações e equipamentos prediais
  • Modernização dos elevadores
  • Adoção de sistemas de segurança e controles de acesso
  • Iniciativas pela sustentabilidade, como adoção da coleta seletiva de lixo, da energia solar e/ou da captação de água de chuva
  • Gestão financeira eficiente
  • Boa relação custo benefício, com cotas condominiais justas de acordo com os serviços e as instalações prediais

Fonte: iCondominial